Páscoa deve movimentar mais de R$ 103 milhões no comércio de Campo Grande

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(Foto: Divulgação/Procon)

Consumidor mais planejado e busca por qualidade impulsionam expectativa de crescimento nas vendas em 2026

A Páscoa de 2026 deve movimentar o comércio de Campo Grande e confirmar um cenário de recuperação gradual do consumo, impulsionado por compradores mais atentos aos preços, mas dispostos a investir em produtos de maior qualidade. A poucos dias da celebração, marcada para 5 de abril, a expectativa é que a data injete mais de R$ 103,7 milhões na economia local, acompanhando o crescimento observado em todo o país.

Segundo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Grande, o desempenho esperado segue a tendência nacional apontada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, que estimam cerca de 106,8 milhões de brasileiros realizando compras para a data. Na Capital sul-mato-grossense, a projeção é de aumento de 4,5% nas vendas em comparação ao ano anterior.

O avanço, no entanto, vem acompanhado de mudanças no comportamento do consumidor. Assim como ocorre em nível nacional, os compradores estão mais estratégicos: a maioria pretende pesquisar preços antes de fechar a compra, priorizando melhor custo-benefício e planejamento financeiro.

Consumidor mais exigente

Outro reflexo dessa transformação aparece na escolha dos produtos. Embora os chocolates industrializados ainda liderem a preferência no país, os itens artesanais ganham espaço. Em Campo Grande, a procura já demonstra equilíbrio entre ovos industrializados e caseiros, impulsionada pela busca por qualidade, personalização e experiências diferenciadas.

A valorização da experiência de consumo também se destaca. Pesquisas nacionais indicam que a qualidade do produto já supera o preço como principal critério de decisão, tendência percebida no comércio local com aumento do ticket médio, estimado entre R$ 165 e R$ 170. A preferência tem sido por produtos mais sofisticados, mesmo que adquiridos em menor quantidade.

Compras de última hora

O comportamento de deixar as compras para a reta final também deve marcar a Páscoa deste ano. Dados nacionais mostram que 45% dos consumidores pretendem comprar apenas na semana da celebração, movimento semelhante ao identificado pela CDL Campo Grande.

Para o presidente da entidade, Adelaido Figueiredo, o cenário exige preparo dos lojistas. Segundo ele, o consumidor chega às lojas mais informado e criterioso, o que aumenta a importância de estratégias comerciais eficientes, bom atendimento e disponibilidade de produtos.

Digital cresce, mas loja física domina

As vendas digitais seguem em expansão na Capital, com cerca de 37% das negociações iniciadas por canais como WhatsApp e redes sociais. Ainda assim, o hábito presencial permanece predominante, acompanhando o cenário nacional, onde a maioria dos consumidores ainda prefere realizar compras em lojas físicas, especialmente supermercados.

Atenção às finanças

Apesar da expectativa positiva para o varejo, o cenário econômico ainda exige cautela. Levantamento nacional aponta que parte dos consumidores optará por não comprar para priorizar o pagamento de dívidas, enquanto muitos dos que pretendem consumir possuem contas em atraso.

Diante disso, a recomendação ao comércio é apostar em condições facilitadas de pagamento, como Pix e parcelamentos, equilibrando incentivo às vendas com responsabilidade financeira.

Tradição mantém força

Mesmo com mudanças no perfil de consumo, o significado da Páscoa segue preservado. A celebração continua associada principalmente à religião e ao encontro familiar, o que amplia os impactos econômicos da data para além do setor de chocolates.

A expectativa é que o tradicional almoço de domingo fortaleça também segmentos como supermercados, peixarias e produtos alimentícios em geral, consolidando a Páscoa como uma das datas mais relevantes para o comércio local no primeiro semestre.