A conservação dos campos nativos e das rotas de voo de aves migratórias foi tema central do painel “Fragilidades e oportunidades na conservação de aves campestres migratórias no Brasil”, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O encontro, parte da programação da 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês), revelou o desafio de conciliar a expansão humana nos biomas Cerrado e Pampa com a manutenção dos fluxos migratórios sazonais.
“Precisamos refletir sobre o modelo de desenvolvimento que queremos. Temos a capacidade de aprimorar os processos tradicionais e agregar tecnologia para manter o manejo da paisagem de maneira sustentável, sem competir com a sobrevivência das espécies”, pontuou a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBio) do MMA, Rita Mesquita. A secretária alertou para a fragilidade dos biomas Pampa e Cerrado diante da substituição da vegetação nativa por monoculturas de espécies exóticas, como eucalipto e pinus.
“Trabalhamos mecanismos para produzir conservando. Medidas desenvolvidas em parceria com instituições como a SAVE Brasil (Sociedade para Conservação das Aves do Brasil) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) focam na manutenção da produção pecuária sustentável em áreas de campos nativos e permitem que a propriedade rural continue produtiva enquanto serve como refúgio e ponto de parada para as aves migratórias”, explicou o chefe de gabinete e secretário substituto da SBio do MMA, Carlos Eduardo Marinello.
Marinello afirmou que a pecuária sustentável em campos nativos é uma estratégia que busca reduzir impactos e manter a produção em áreas de pasto original, sem a introdução de capins exóticos que alteram o ecossistema.
O painel, que aconteceu na quinta-feira (26/3), reforçou que essas aves são “espécies sentinelas”, que funcionam como indicadores da saúde dos ecossistemas. A estratégia do MMA inclui ainda a criação e o fortalecimento de unidades de conservação (UCs), como o recém-criado Parque Nacional do Albardão (RS), e o engajamento do setor privado em agendas ESG (sigla para a tríade ambiental, social e governança) voltadas para a proteção de habitats campestres.




















