PM prende três homens em fiscalização do cumprimento de medidas protetivas

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Foto: Ilustrativa

Uma operação da Polícia Militar realizada na sexta-feira (31), em Campo Grande, constatou que 11 mulheres de um total de 139 fiscalizadas não estão conseguindo ter a medida protetiva contra seus ex-maridos garantida. Outras 54 disseram que não estão mais tendo qualquer tipo de contato com os ex-companheiros.

A ação encerrou as atividades alusivas ao mês da Mulher, os policiais foram às ruas para fiscalizar se agressores estavam, de fato, cumprindo as medidas protetivas de urgência. A operação contou com 40 policiais e mobilizou 20 viaturas.

Durante os trabalhos, três homens foram presos em flagrante desobedecendo a ordem judicial e se aproximaram de suas ex-esposas, colocando em risco a integridade delas.

De acordo com o balanço divulgado pela PMMS, a missão tinha por objetivo fiscalizar 165 mulheres vítimas de violência nas sete regiões urbanas da Capital, mas 69 dessas não foram localizadas ou contatadas pelas equipes.

No caso das 11 mulheres que não estavam com suas medidas protetivas sendo cumpridas, elas relataram aos policiais que seus ex-maridos vinham buscando a aproximação por meio de ligações, mensagens e até mesmo fazendo visitas pessoais.

Para elas, a orientação foi de que as vítimas procurem a DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) para registrar boletim de ocorrência de descumprimento de medida protetiva.

Das mulheres visitadas, três disseram querer a revogação da medida protetiva por acreditar que o relacionamento com o ex está solucionado. Para isso, segundo a PM, elas devem fazer o pedido de anulação da ordem judicial na DEAM.

Mato Grosso do Sul é um dos estados mais violentos contra às mulheres em todo o Brasil. Atualmente, apenas em Campo Grande são 5,8 mil medidas protetivas ativas.

Tentativa de femincídio

A operação da PMMS aconteceu no mesmo dia em que uma mulher, de 47 anos, foi esfaqueada pelo seu ex-marido na Capital. O crime aconteceu em uma residência situada no bairro Universitário.

De acordo com o registro da ocorrência, a mulher foi surpreendida pelo homem dentro da casa ao retornar da escola onde os seus filhos estudam. Os dois estavam separados há cerca de um ano, quando um primeiro caso de agressão foi relatado por ela.

Após deixar as crianças na escola, a vítima foi até a casa do atual namorado, algo que tem feito há cinco meses, desde quando o relacionamento foi iniciado. A casa fica nas proximidades do colégio.

No local, o ex-namorado a estava esperando e os dois discutiram até que, em dado momento, o sujeito aplicou pelo menos cinco golpes de faca contra a vítima. Uma outra mulher que estava fazendo a limpeza de uma igreja em frente ao local ouviu os gritos de socorro e acionou o SAMU.

Essa testemunha contou aos policiais que viu o homem parado e gritando pelo celular e, em seguida, o sujeito saltou o muro da casa e fugiu em uma bicicleta. Foi preciso arrombar o portão da casa para conseguir chegar até a mulher, que de pronto informou ter sido o seu ex-marido o reponsável pelo crime.

O homem foi preso pelo GOI (Grupo de Operações e Investigações) na Avenida Gury Marques, próximo à rodoviária. A Delegacia Especializada de Atendimento À Mulher (DEAM) apura o caso e ele deve responder por feminicídio na forma tentada.

A investigação detalhou que o ex-casal viveu junto por pelo menos 10 anos e que tem duas filhas, mas que no ano passado houve uma briga na qual ele tentou matar a mulher asfixiada. Ela tem uma medida protetiva contra o ex.

O homem foi preso e até mesmo esteve alojado no Presídio de Corumbá, mas acabou conseguindo ser solto pouco tempo depois e voltou para Campo Grande, onde começou a ameaçar a ex-esposa por não aceitar o fim do relacionamento.

Não há informações atualizadas sobre o quadro clínico da mulher, mas ela foi levada para a Santa Casa em estado grave e estava com as vísceras expostas, além de ter perdido muito sangue.