Polícia apura denúncia de exploração de adolescentes em serviço rural em MS

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Caso veio à tona durante atendimento em UBS do Coophavila II

Jovens foram encontrados em UBS com sintomas de dengue e disseram trabalhar mais de 12 horas por dia

Dois adolescentes com sintomas de dengue deram entrada em uma unidade de saúde e acabaram acolhidos pelo Conselho Tutelar após surgirem indícios de possível situação de trabalho análogo à escravidão, em Campo Grande, nesta sexta-feira (13).

A ocorrência foi registrada na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Coophavila II, depois que uma equipe da Polícia Militar foi acionada via Copom para prestar apoio no local. Segundo a corporação, os jovens — um boliviano, que não apresentou documentos, e outro de 17 anos, natural do Maranhão — estavam acompanhados de um homem senegalês, de 45 anos, apontado como encarregado de uma empresa de Dourados, responsável por montagem de silos em fazendas.

De acordo com a conselheira tutelar de plantão, acionada pela assistente social da unidade, os adolescentes relataram que trabalhavam na montagem de silos em propriedades rurais às margens da BR-060, saída para Sidrolândia. Eles estariam alojados em uma residênccia, em Campo Grande.

Durante a conversa com os menores, a conselheira levantou suspeitas de condições irregulares de trabalho. Entre os pontos relatados estão a ausência de documentos de identificação e de registro formal, jornada superior a 12 horas diárias sem descanso semanal e alojamento considerado precário, onde estariam hospedadas 16 pessoas.

O adolescente boliviano afirmou trabalhar há cerca de um mês e ter recebido R$ 2,5 mil pelo período. O jovem maranhense também confirmou ter recebido pagamento referente ao mês trabalhado.

Diante da vulnerabilidade dos adolescentes e da suspeita de crime, o Conselho Tutelar realizou o acolhimento institucional dos dois. O encarregado da empresa foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos.

Ainda conforme a Polícia Militar, o caso foi registrado na Polícia Federal.