Publicado em 14/03/2018 12h15
Polícia não acha droga em sauna onde estava ex-diretor do HU, mas ainda apura possível overdose
Delegada já ouviu 6 testemunhas e pretende intimar médica que o atendeu na sauna. Ela teria informado sobre uma “punção” no braço da vítima
G1/MS
A Polícia Civil realizou novas buscas e não encontrou droga na sauna masculina, localizada na região central de Campo Grande, onde estava o médico e ex-diretor do Hospital Universitário (HU), José Carlos Dorsa Vieira Pontes, de 51 anos. Ele foi socorrido no último domingo (11) e morreu após convulsionar e passar por tentativas de reanimação pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu).
“No local não foi encontrado droga, porém vamos intimar a médica que fez o atendimento, para saber mais detalhes da questão da “punção” que ele tinha no braço. Estas informações inclusive estão no relatório policial e também temos os laudos que estamos aguardando”, afirmou ao G1 a delegada Daniela Kades, responsável pelas investigações.
Desta forma, a delegada informou que hipóteses como possível overdose ou até algum crime estão sendo apuradas. “Nós já ouvimos seis testemunhas e temos mais pessoas para prestarem depoimento. Até o momento, todas elas relataram que ele realmente chegou reclamando de dor de cabeça, foi para o quarto e, horas depois, já passou mal e foi encontrado convulsionando”, explicou Kades.
Entenda o caso
Ainda conforme o relatório policial, a vítima também estava impaciente. Antes da chegada do socorro médico, ele teve a ajuda de um recepcionista e mais duas pessoas. Após isso, a equipe médica o atendeu e constatou o óbito por volta das 19h40 (de MS). O local ficou isolado até a chegada da Polícia Militar, além da Polícia Civil e a perícia criminal.
A vítima chegou às 16h (de MS) e foi para um dos quartos da sauna, localizada na rua Boa Vista. O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para exame necroscópico. Ainda de acordo com a ocorrência, a vítima tinha uma “punção” no braço e um ferimento no rosto. Até o momento, as linhas de investigação são de possível overdose e até suicídio.
Esquema milionário
O cardiologista respondia a uma ação de suposto esquema de corrupção no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (NHU/UFMS). O Ministério Público Federal (MPF) o denunciou pelos crimes de falsificação de documento, uso de documento falso, peculato, quando o servidor se apropria de valores ilegais, formação de quadrilha e fraude em licitação.
Além disso, Dorsa também respondia à sindicância por fraude em registros oficiais e apresentar laudo médico fraudulento para embasar as defesas no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS).
Segundo o MPF, o prejuízo aos cofres públicos chegou a R$ 2,3 milhões. A Operação Sangue Frio, da Polícia Federal, apontou Dorsa como articulador do esquema. Em 2015, a Justiça Federal aceitou a denúncia.




















