Sistema criado no século XVI evita erros nas datas das estações do ano
Todo começo de ano traz a mesma pergunta: afinal, teremos um dia a mais no calendário? Em 2026, a resposta é não. O ano terá 365 dias, sem o tradicional 29 de fevereiro. A explicação passa por regras criadas há mais de quatro séculos para alinhar o calendário ao movimento da Terra em torno do Sol.
Segundo a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional (ON/MCTI), 2026 segue o padrão dos chamados anos comuns. A definição está ligada ao calendário gregoriano, adotado oficialmente em 1582, que estabeleceu critérios específicos para evitar distorções nas datas das estações do ano.
Antes disso, o mundo utilizava o calendário juliano, criado em 46 a.C., que previa a inclusão de um dia extra a cada quatro anos. Com o passar dos séculos, no entanto, astrônomos perceberam que esse sistema provocava um descompasso gradual entre o calendário civil e fenômenos astronômicos, como o equinócio de março — momento em que o Sol nasce exatamente no leste e se põe no oeste.
O equinócio tem papel central na organização das estações do ano e influencia atividades como a agricultura e a definição da data da Páscoa, considerada importante por diferentes civilizações ao longo da história.
De acordo com a astrônoma, o desafio está em ajustar o calendário ao chamado ano trópico — o tempo que a Terra leva para completar uma volta em torno do Sol em relação às estações. Esse período tem 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos, ou seja, não é um número inteiro de dias.
Se o ano tivesse exatamente 365 dias e 6 horas, a regra de adicionar um dia a cada quatro anos funcionaria perfeitamente. Mas a diferença de cerca de 12 minutos por ano se acumula ao longo do tempo e, em 400 anos, gera um erro de aproximadamente três dias. Foi para corrigir esse problema que surgiram as regras atuais do ano bissexto.
Pelo calendário gregoriano, são considerados bissextos os anos divisíveis por quatro, exceto os anos que terminam em “00”. Esses só serão bissextos se também forem divisíveis por 400. Assim, em um ciclo de 400 anos, três anos deixam de ter o dia extra, ajustando o calendário ao movimento real da Terra.
Na implantação do novo sistema, em 1582, o ajuste foi imediato: dez dias do mês de outubro foram simplesmente eliminados para corrigir o erro acumulado até então.
Com base nessas regras, 2026 não se enquadra nos critérios para ser bissexto — e fevereiro seguirá com 28 dias.




















