
Em alusão ao último domingo do mês de janeiro, quando é celebrado o Dia Mundial de Combate à Hanseníase, a Prefeitura de Dourados, por meio do Programa Municipal de Controle da Hanseníase, com apoio da Atenção Primária à Saúde, intensifica as ações de prevenção, controle e orientação em toda a rede pública de saúde do município. As atividades são desenvolvidas principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), integradas à rotina de atendimentos.
As ações incluem busca ativa de casos suspeitos de hanseníase, aplicação de questionários, visitas domiciliares com orientações à população e avaliação clínica. Os pacientes que apresentarem alterações são agendados pela própria unidade de saúde para avaliação especializada no Centro de Referência em Tuberculose e Hanseníase (CRTH), garantindo acompanhamento adequado e início rápido do tratamento, quando necessário.
Segundo a coordenadora do Centro de Referência em Tuberculose e Hanseníase de Dourados, Célia Maria Valério Motta Nunes, o trabalho contínuo da rede de saúde tem sido fundamental para os resultados positivos do município. “A hanseníase tem cura e, quando o diagnóstico é feito de forma precoce, evitamos sequelas e interrompemos a transmissão. Em Dourados, o acompanhamento próximo dos pacientes e a atuação das equipes das unidades básicas de saúde fazem toda a diferença”, destaca.
Os dados reforçam a efetividade das ações. Em 2024, Dourados registrou 15 casos de hanseníase e, em 2025, 13 casos, ambos com taxa de cura de 100%. A Secretaria Municipal de Saúde ressalta que, embora o mês de janeiro concentre ações educativas e de mobilização, as unidades de saúde permanecem disponíveis durante todo o ano para avaliação de suspeitas, orientação e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Prefeitura reforça a importância de a população estar atenta aos sinais e sintomas da hanseníase, como manchas na pele com perda de sensibilidade, formigamento, diminuição de força muscular e caroços pelo corpo. Ao identificar qualquer alteração, a orientação é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima para avaliação.
HANSENÍASE
A hanseníase acomete pessoas de ambos os sexos e de qualquer idade. Entretanto, é necessário um longo período de exposição à bactéria, sendo que apenas uma pequena parcela da população infectada realmente adoece. As lesões neurais decorrentes conferem à doença um alto poder de gerar deficiências físicas e configuram-se como principal responsável pelo estigma e discriminação às pessoas acometidas pela doença.
O Brasil ocupa a 2ª posição do mundo entre os países que registram casos novos. Em razão de sua elevada carga, a doença permanece como um importante problema de saúde pública no país, sendo de notificação compulsória e investigação obrigatória. A partir da década de 1980 o Brasil dispõe de iniciativas institucionais que modificam a estratégia de cuidado as pessoas acometidas pela hanseníase, com o fechamento dos hospitais colônia que pressupunham a internação compulsória daqueles acometidos pela doença.
Os casos de hanseníase são diagnosticados por meio do exame físico geral dermatológico e neurológico para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas. Os casos com suspeita de comprometimento neural, sem lesão cutânea (suspeita de hanseníase neural primária), e aqueles que apresentam área com alteração sensitiva e/ou autonômica duvidosa e sem lesão cutânea evidente, são encaminhados para unidades de saúde de maior complexidade para confirmação diagnóstica.



















