O presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, retorna a Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira (18) para se reunir com o governador Eduardo Riedel, o ex-governador Reinaldo Azambuja e os deputados federais do partido no Estado. O encontro foi solicitado pelo próprio Perillo à base sul-mato-grossense e deve discutir os rumos do ninho tucano em meio a uma crise interna prolongada.
Entre os principais temas da reunião está o futuro do partido, que nacionalmente retomou as negociações para uma possível federação com MDB e Republicanos. No entanto, lideranças locais desses partidos não acreditam que a união sairá do papel.
Em junho, o PSDB havia aprovado a incorporação do Podemos, mas as negociações foram suspensas devido a divergências sobre a liderança da nova legenda. Enquanto o Podemos defendia que a deputada federal Renata Abreu (SP) assumisse a presidência por quatro anos, os tucanos propunham um rodízio inicial no comando, até a realização de uma eleição interna em 2026.
O PSDB busca alternativas para enfrentar a cláusula de barreira e recuperar representatividade, após anos de rachas internos e queda de protagonismo. No último pleito municipal, a legenda perdeu quase metade das prefeituras que tinha: de 525 eleitos em 2020 para 269 em 2024, queda de 48%.
Em 2025, o desempenho sul-mato-grossense se destacou frente ao cenário nacional. O Estado se tornou o último reduto tucano do país, mantendo o governador, três deputados federais, seis deputados estaduais, a maior bancada da Câmara Municipal de Campo Grande, com cinco vereadores, e 44 das 79 prefeituras estaduais.
Apesar disso, o partido enfrenta novas turbulências locais. A saída de Reinaldo Azambuja é considerada certa, e o governador Riedel também planeja deixar a sigla. Com a possível saída de Azambuja, deputados federais tucanos já articulam uma nova liderança para o Estado, enquanto a atual chefia da legenda pode migrar para o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A reunião de segunda-feira inclui conversas com os deputados federais Geraldo Resende, Dagoberto Nogueira e Beto Pereira, e busca definir estratégias para garantir a sobrevivência do partido frente à cláusula de barreira, que em 2026 exigirá pelo menos 13 deputados federais em um terço dos estados brasileiros para que o PSDB tenha acesso a recursos públicos e tempo de televisão.
Atualmente, o PSDB forma federação com o Cidadania, mas a legenda decidiu deixar a união, prazo validado pelo TSE. A definição sobre alianças e futuro da sigla em Mato Grosso do Sul deve ser um dos pontos centrais da visita de Marconi Perillo.