Preso por homicídio, idoso diz que arma era herança do pai e agiu em legítima defesa

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Caso foi registrado na Depac Cepol (Foto: Sejusp)

Preso em flagrante por matar um assassino de 42 anos em Campo Grande, na quinta-feira (1º), o idoso de 73 anos disse em depoimento que agiu em legítima defesa. Ainda na sua versão para os fatos, detalhou que a arma usada no crime era herança do seu pai e que não costuma andar armado, sendo aquele dia uma exceção. “Foi o primeiro dia que carreguei no meu bolso”, declarou o autor.

O caso está sendo investigado pelo delegado Felipe Madeira. À imprensa, nessa sexta-feira (02), ele pontuou que não há clareza na narrativa dos fatos prestados pelo idoso. Na casa dele foram apreendidos o revólver de calibre 32, com três munições deflagradas, e uma espingarda calibre 22, sem numeração aparente.

No depoimento, o idoso afirmou que estava caminhando na rua quando foi atingido no rosto por um copo com bebida alcoólica jogado pela vítima. A partir disso, houve a discussão entre os dois que, segundo o autor, não se conheciam. Na briga, o autor alega que foi derrubado e golpeado com chutes, pontapés e socos, além de ser atingido por uma pedra e uma garrafa de vidro.

Ele conseguiu se levantar depois das agressões e fugiu, mas acabou perseguido pela vítima, que o ameaçou de morte. Entretanto, o idoso estava armado e reagiu efetuando dois disparos, atingindo o agressor e fugindo em seguida para a sua casa. Testemunhas acionaram o socorro e a vítima foi levada para a Santa Casa, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu logo depois.

“Usei a arma para me defender. Se eu não faço aquilo, ele tinha me matado”, declarou no depoimento. “Nem sei o que aconteceu. Só pode ter sido Jesus, que eu peguei [a arma] e coloquei no bolso. Primeiro dia que eu carreguei”, completou, ao falar sobre o motivo de estar armado naquele dia.

O crime aconteceu no cruzamento das ruas Fátima do Sul e Rio Brilhante, no bairro São Jorge da Lagoa, entre a noite do dia 31 e a madrugada do dia 1º. O idoso foi identificado por testemunhas e preso logo em seguida na Rua Pedro Gomes. Ele tinha lesões superficiais e dificuldade de locomoção. Ele aguarda pela audiência de custódia.

O homem morto seria pintor e esteve preso por um homicídio ocorrido em 2003, quando era membro de uma gangue do bairro Tijuca e, juntamente com outras cinco pessoas, mataram um rival, após desentendimento provocado por uma disputa entre pipas. O amigo dessa vítima foi baleado, mas sobreviveu. O sujeito foi condenado a 13 anos de prisão.