Produtores de abelhas nativas mais próximos da regularização

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Publicado em 05/05/2017 11h15

Produtores de abelhas nativas mais próximos da regularização

Criadores de abelhas nativas (sem ferrão) começam a vislumbrar um cenário mais favorável à sua atividade e à comercialização de seus produtos. Isso porque na última semana (27/4), meliponicultores, cientistas, representantes de associações e ONGs reuniram-se em Brasília/DF, com o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para pedir a revisão da resolução que regulamenta a atividade.

“Hoje, infelizmente, a maioria dos produtores não consegue se regularizar, embora seu trabalho seja permitido”, explica o biólogo Cristiano Menezes, da Embrapa Amazônia Oriental. “O que a resolução diz é que até 50 colmeias, o produtor precisa somente de uma autorização do IBAMA, acima deste número é preciso registro de órgão federal competente. A burocracia é tamanha pra isso que, até então, há apenas 11 criadores com cadastro em todo o Brasil”, completa.

“Acredito que este não seja o objetivo do MMA, mas essa reunião foi uma oportunidade de apontarmos os problemas. Os produtores argumentaram que da forma como está, hoje os criadores de abelhas exóticas são mais favorecidos, visto que não necessitam deste cadastro”, diz o pesquisador.

Ainda de acordo com Menezes, a nova resolução proposta para o Conama vai estimular a legalidade dos criadores em todo país. “Isso vai fazer com que os meliponicultores produzam de forma legal. Isso estrutura a atividade e fortalece a cadeia, já que terão direitos garantidos e acesso a crédito e a selos de comercialização de produtos”, diz.

Embora a discussão tenha avançado, não há ainda estimativa de quando a nova resolução será promulgada. “O MMA mostrou-se interessado em que isso saia logo”, contou o especialista da Embrapa, que também esteve na reunião.

Mel de abelhas nativas

Apesar de o Brasil possuir a maior diversidade de abelhas sem ferrão do mundo (são aproximadamente 300 espécies num total de 500), a produção do mel no país é baseada nas espécies exóticas.

Os meles produzidos por abelhas brasileiras são muito diferentes das de Apis melífera, conhecidas como abelha-europeia. Além de apresentar um leque de aromas e sabores, eles possuem maior teor de água, que varia de 22% a 40%.

Com até 20% de umidade, o mel pode ser comercializado e mantido em ambiente natural. “Os de abelhas nativas, por conta dessa especificidade, tendem a fermentar”, informa Menezes. “Diante disso, os produtores têm quatro alternativas para comercialização – a refrigeração, que mantém as características originais do mel; a pasteurização a 63°C, processo que perde algumas de suas propriedades; a desidratação, que retira o excesso de umidade e a maturação, método usado pelos índios e que torna o mel mais ácido”, explica.

“Apesar de estar crescendo o interesse dos produtores pelas abelhas nativas, este é um nicho ainda muito pouco explorado, mas com grande potencial, não só de mercado como também de sustentabilidade em relação aos ecossistemas brasileiros”, finaliza.

Fonte: Cenário Agro

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