PSB cobra reciprocidade do PT nas articulações para eleições de 2026

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PSB de Alckmin e João Campos pressiona por reciprocidade e rejeita neutralidade de Lula em Pernambuco (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Partido quer apoio em estados estratégicos e defende permanência de Alckmin como vice

Com a aproximação das eleições de 2026, a aliança construída em torno da vitória presidencial de 2022 começa a enfrentar testes políticos nos bastidores, especialmente na definição de apoios regionais e da composição da futura chapa nacional.

Dirigentes do Partido Socialista Brasileiro (PSB) têm defendido que o apoio antecipado dado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última eleição seja retribuído agora, principalmente em estados estratégicos como Pernambuco, considerado peça-chave nas articulações eleitorais.

Reunião para discutir alianças

O tema deve ser tratado nesta quarta-feira (4) em reunião entre o presidente nacional do PSB e prefeito do Recife, João Campos, e o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva.

Nos bastidores, lideranças socialistas avaliam que o partido teve papel decisivo na formação da coalizão que levou Lula novamente ao Palácio do Planalto e, por isso, esperam reciprocidade do PT na definição dos palanques estaduais e na estratégia eleitoral para 2026.

O deputado federal Lucas Ramos (PSB-PE) afirmou que o encontro deve incluir cobranças diretas por alinhamento político. Segundo ele, o PSB foi o primeiro partido a declarar apoio à candidatura de Lula em 2022 e também defendeu a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa presidencial.

Pernambuco no centro das negociações

Articuladores do PSB consideram que Pernambuco será um dos principais focos da disputa eleitoral. A avaliação interna é que não haveria espaço para neutralidade do PT no estado, diante de um cenário político polarizado.

Para integrantes do partido, a manutenção de Alckmin como vice ajudaria a ampliar o diálogo com setores políticos e econômicos onde o PT historicamente encontra maior resistência, fortalecendo o palanque nacional.

O clima político local ganhou tensão após o vereador Osmar Ricardo, presidente municipal do PT no Recife, assinar pedido de abertura de uma CPI contra João Campos. Apesar do episódio, o prefeito afirmou que a relação entre as siglas permanece positiva.

Discurso de unidade

Após reunião com Lula em fevereiro, João Campos afirmou que o diálogo com o presidente tem sido “franco, verdadeiro e amistoso”, destacando a importância da continuidade da parceria política.

Segundo o dirigente, PSB e PT avançam na construção conjunta de alianças estaduais alinhadas ao projeto de reeleição presidencial. O partido também trabalha para ampliar sua representação na Câmara dos Deputados, com a meta de alcançar ao menos 30 parlamentares federais.

A expectativa entre lideranças é que as negociações dos próximos meses definam não apenas os palanques regionais, mas também o grau de unidade da base aliada para a disputa nacional de 2026.