PSOL rejeita entrar na federação com PT, PCdoB e PV para eleições de 2026

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Guilherme Boulos (PSOL-SP) - (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Diretório nacional decide manter aliança com a Rede, mas confirma apoio à reeleição de Lula

Uma das principais discussões internas do PSOL sobre o caminho eleitoral da esquerda para 2026 terminou com uma decisão clara neste sábado (7). O Diretório Nacional do partido rejeitou a proposta de ingressar na Federação Brasil da Esperança, bloco formado por PT, PCdoB e PV.

A decisão foi tomada durante reunião realizada em São Paulo e formalizada em resolução divulgada após o encontro. O texto informa que a proposta chegou a ser debatida internamente, mas não foi aprovada pela maioria da direção nacional da legenda.

Segundo o resultado da votação, 75,8% dos integrantes do diretório optaram por renovar a federação do PSOL com a Rede Sustentabilidade, enquanto 24,2% defenderam a entrada do partido na Federação Brasil da Esperança.

“A proposta de ingresso do PSOL na Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV) não foi aprovada pelo Diretório Nacional do PSOL”, afirma a nota divulgada pela sigla.

A proposta de aproximação com a federação liderada pelo PT era defendida por um setor do partido ligado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Dentro da legenda, o grupo denominado “Revolução Solidária” apoiava a ideia de formar uma frente mais ampla entre partidos de esquerda.

Outra corrente interna, chamada “PSOL Popular”, se posicionou contra a iniciativa. Integrantes desse grupo argumentaram que a entrada na federação poderia transformar o PSOL em um aliado subordinado ao governo federal e ao próprio PT.

Segundo esse setor, a aliança poderia ainda obrigar o partido a apoiar candidaturas de outras siglas em disputas estaduais, como as de Helder Barbalho (MDB) no Pará, Eduardo Paes (PSD) no Rio de Janeiro e Rodrigo Pacheco (PSD) em Minas Gerais.

Já os defensores da proposta avaliavam que o cenário político exige uma articulação mais ampla das forças progressistas para enfrentar o bolsonarismo nas eleições de 2026 e fortalecer o alinhamento da esquerda nos estados.

Apesar de rejeitar a entrada na federação liderada pelo PT, o Diretório Nacional do PSOL aprovou por unanimidade o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, repetindo a estratégia adotada pelo partido no pleito de 2022.

De acordo com a resolução, a decisão de apoiar Lula já no primeiro turno faz parte de uma estratégia de unidade das forças de esquerda diante do avanço da extrema-direita no país.

“O PSOL assumiu a responsabilidade histórica de fortalecer a unidade das esquerdas para resistir aos retrocessos e reconstruir o Brasil”, diz o documento.

O partido também decidiu manter por mais quatro anos a federação com a Rede Sustentabilidade. A direção da legenda avaliou que a parceria tem contribuído para ampliar a presença institucional do bloco no Congresso.

A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que o debate foi conduzido de forma ampla dentro da legenda.

“O que havia para ser debatido foi discutido de modo amplo e democrático, com todas as tendências do partido colaborando com os temas propostos. Agora, é unir forças para reeleger Lula e ampliar nossa bancada de deputados federais dentro da federação PSOL-Rede”, afirmou.

Além da disputa presidencial, o PSOL definiu como prioridade para o próximo ciclo eleitoral o crescimento de sua representação no Congresso Nacional. A estratégia inclui ampliar o número de parlamentares de esquerda para enfrentar a influência do Centrão e de setores conservadores.

Segundo o documento aprovado pelo diretório, fortalecer bancadas alinhadas ao campo progressista é considerado fundamental para alterar o equilíbrio de forças no Legislativo.