Quatro anos após invasão, guerra na Ucrânia segue sem perspectiva de cessar-fogo

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Conflito no Leste Europeu começou no dia 24 de fevereiro de 2022 (Foto: Reprodução/Record News)

Impasse sobre territórios no leste é um dos principais obstáculos nas negociações

Quatro anos depois do primeiro bombardeio, a guerra na Ucrânia acumula números que a colocam entre os conflitos mais letais do período posterior à Segunda Guerra Mundial. Desde 24 de fevereiro de 2022, quando tropas russas cruzaram a fronteira, as baixas militares já se aproximam de dois milhões de soldados, entre mortos, feridos e desaparecidos.

A estimativa é do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), que aponta a Rússia como o país com maior número de perdas: quase 1,2 milhão de baixas, sendo cerca de 325 mil mortos. Do lado ucraniano, o levantamento indica aproximadamente 600 mil baixas, com 140 mil mortos.

Já a Organização das Nações Unidas (ONU) contabiliza cerca de 15 mil civis mortos desde o início da invasão.

Como começou a guerra

A escalada militar foi precedida por meses de tensão diplomática no fim de 2021, quando a Rússia concentrou tropas na fronteira com a Ucrânia. Dias antes da ofensiva, o presidente Vladimir Putin reconheceu como independentes duas regiões separatistas no leste ucraniano e anunciou uma operação militar sob o argumento de proteger populações pró-Rússia.

Em 24 de fevereiro de 2022, forças russas avançaram sobre diferentes pontos do território ucraniano. A expectativa inicial de uma operação rápida não se confirmou. O plano de ocupar a capital, Kiev, encontrou resistência das tropas comandadas pelo presidente Volodymyr Zelensky, e o confronto se transformou em uma guerra prolongada.

Impasse nas negociações

Apesar do alto número de mortes e dos impactos econômicos nos dois países, ainda não há previsão de um acordo de paz. Especialistas avaliam que Moscou e Kiev passaram a travar uma batalha de resistência, com custos humanos e financeiros elevados.

Na última rodada de negociações, realizada em Genebra, na Suíça, representantes da Rússia, da Ucrânia e dos Estados Unidos deixaram o encontro sem consenso. Zelensky acusa Moscou de não demonstrar disposição suficiente para avançar nas tratativas e defende maior participação de países europeus nas conversas.

Um dos principais entraves segue sendo o controle de áreas no leste da Ucrânia. Enquanto o governo russo insiste em manter domínio sobre territórios considerados estratégicos, Kiev afirma que não abrirá mão das regiões que ainda administra.

Sem avanço nas negociações, o conflito entra em mais um ano sem perspectiva concreta de cessar-fogo definitivo.