Um observatório com físicos da USP, Unicamp, Unesp, UnB, UFABC, Berkley (EUA) e Oldenburg (Alemanha) mostra que número de infectados, considerando dados desta quinta-feira (19), vem dobrando a cada 54 horas — e a progressão aumenta a cada dia.
20/03/2020 14h24
Por: Eduardo Pierre, G1 Rio
O ritmo da disseminação do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil é, hoje, igual ao da Itália semanas atrás – e ele está acelerando. Segundo um estudo conduzido por sete universidades, o número de casos deve passar de 3 mil já na terça-feira (24).
Participam da pesquisa físicos da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade de Berkley (nos Estados Unidos) e Universidade de Oldenburg (na Alemanha).
“Nossos cálculos corroboram a ideia que o início da curva epidêmica brasileira é igual às da Itália e da Espanha — quando estes países estavam no início [da epidemia]”, afirmou ao G1 o professor Roberto Kraenkel, do Instituto de Física Teórica da Unesp.
O balanço divulgado quinta-feira (19) do Ministério da Saúde apontou 621 casos da Covid-19 no Brasil – sete pessoas já morreram.
No mundo todo, a Itália é o país com maior número de vítimas – nesta sexta-feira (20), o país europeu ultrapassou a marca de 4 mil mortos – o total de casos registrados ultrapassa 47 mil.
Um levantamento da universidade norte-americana Johns Hopkins divulgado nesta sexta mostrou que há ao menos 10.031 mortos por complicações da Covid-19 no mundo. Há mais de 245 mil infectados.
O gráfico acima mostra as projeções da Unesp para os próximos dias – a projeção tem um intervalo de mínimas e máximas. Veja as estimativas:
sábado (21) – 1.091 casos;
domingo (22) – 1.478 casos;
segunda-feira (23) – 2.003 casos;
terça (24) – 2.714 casos; a previsão máxima é de até 3,4 mil casos na terça.
Projeção de casos
Kraenkel participa do Observatório Covid-19 BR, que estuda os números da pandemia no país. O grupo reúne professores da Unesp, Unicamp, USP, UnB e UFABC, além das universidades de Berkley e (EUA) Oldenburg (Alemanha).
Um dos cálculos feitos é o do tempo de duplicação de infectados.
“Uma forma de acompanhar a epidemia é seguir o tempo de duplicação dia a dia. Se as ações de contenção surtirem efeito, vamos observar o tempo de duplicação aumentar. Esta é uma forma de saber se estamos conseguindo ‘domar’ o coronavírus”, detalhou Kraenkel.
Esse tempo, com os dados do Ministério da Saúde de quinta, está em 2,28 dias — e caindo. Isso quer dizer que, no Brasil, a cada 54 horas e 43 minutos, o número de contaminados dobra.
Quanto mais baixo for esse tempo, mais rápida corre a pandemia no país. O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi confirmado no dia 26 de fevereiro.
“Se tenho, digamos, 10 casos, quanto tempo leva para ter 20, depois 40 e 80?”, explicou o professor.
Um fator que interfere nesse cálculo é o número de testes feitos. Na Itália, por exemplo, até o dia 9, 60 mil pacientes foram testados — ou mil kits a cada milhão de habitantes. Na Coreia do Sul, foram quatro vezes mais.
Ao G1, o Ministério da Saúde informou que, na rede pública, foram feitos 13 mil testes — ou 62 para cada milhão de brasileiros. Não há estatísticas para a rede particular.




















