Mais de 640 mil hectares são impactados pela estiagem; produtividade média prevista é de 52,82 sacas por hectare
O calor recorde e a falta de chuva nos últimos meses pressionam a produção de soja em Mato Grosso do Sul, afetando a qualidade das lavouras e pressionando os preços no mercado. Entre janeiro e fevereiro, as áreas classificadas como regulares e ruins aumentaram, segundo levantamento da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja), divulgado nesta sexta-feira (27).
Em dezembro de 2025, mais de 75% das áreas monitoradas estavam em boas condições. No início de fevereiro, esse índice recuou, especialmente na região sul do Estado, onde a estiagem coincidiu com fases críticas do desenvolvimento das plantas. Municípios como Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai registram os maiores percentuais de áreas regulares e ruins, com impacto no enchimento de grãos e na produtividade potencial.
A região central apresenta desempenho melhor, com 65,8% das lavouras avaliadas como boas, mas o calor extremo e os veranicos de mais de 20 dias afetaram mais de 640 mil hectares em todo o Estado, concentrados principalmente no sul. Produtores relatam perdas pontuais e desuniformidade nas lavouras.
Preço da soja recua no mercado
O impacto climático também reflete nos valores da soja. Em 23 de fevereiro, a saca foi cotada a R$ 108,44, recuo nominal de 6,52% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da pressão do clima, a colheita avança, embora em ritmo mais lento: até 20 de fevereiro, apenas 27,7% da área plantada havia sido colhida, 11,1 pontos percentuais abaixo do registrado na safra anterior.
Perspectivas para a safra 2025/2026
A estimativa oficial aponta expansão da área cultivada para 4,794 milhões de hectares, aumento de 5,9% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média esperada é de 52,82 sacas por hectare, o que pode resultar em 15,195 milhões de toneladas de soja.
O boletim também destaca o avanço do plantio do milho de segunda safra, que depende da liberação das áreas de soja. São estimados 2,206 milhões de hectares com produtividade média de 84,2 sacas por hectare, projetando uma produção de 11,139 milhões de toneladas.




















