Sem chefes do Congresso, governo e STF realizam atos pelos três anos do 8 de Janeiro

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Em 2026, os atos antidemocráticos de 8 de Janeiro completam três anos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Programação inclui cerimônia no Planalto, exposição no Supremo e manifestação popular

Três anos depois dos ataques que abalaram a Praça dos Três Poderes, Brasília volta a ser palco de atos oficiais em defesa da democracia. Nesta quinta-feira (8), o Palácio do Planalto recebe, a partir das 10h, uma cerimônia em memória do 8 de Janeiro de 2023, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de autoridades dos três Poderes.

A programação no Planalto inclui um ato simbólico na área externa do prédio, com participação de representantes da sociedade civil. Paralelamente, movimentos sociais organizam uma concentração popular às 10h30, na Praça dos Três Poderes, convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em conjunto com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

O Supremo Tribunal Federal (STF) também preparou atividades alusivas à data. Às 14h30, será aberta a exposição “8 de Janeiro: Mãos da Reconstrução”, seguida da exibição do documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução”. A programação inclui ainda uma roda de conversa com profissionais da imprensa e a apresentação do painel “Um dia para não esquecer”, no salão nobre da Corte. O evento será conduzido pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Apesar da agenda oficial, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não participarão da cerimônia no Planalto. A ausência repete um padrão observado desde o início das comemorações oficiais da data e ocorre em meio ao desgaste na relação entre o Congresso Nacional e o Executivo.

Sem chefes do Congresso, governo e STF realizam atos pelos três anos do 8 de Janeiro
(Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

Segundo Hugo Motta, compromissos pessoais e políticos na Paraíba impedem sua presença, embora ele afirme manter uma relação respeitosa com o governo federal. Na Câmara, a ausência do presidente tornou-se recorrente — postura semelhante à adotada por Arthur Lira (PP-AL), que não compareceu às cerimônias realizadas em 2024 e 2025. Já o Congresso Nacional não organizou nenhum evento próprio para marcar a data em 2026.

O primeiro ato oficial em defesa da democracia ocorreu em 2024, no Salão Negro do Congresso. Na ocasião, apenas o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), participou da cerimônia.

Os ataques de 8 de janeiro de 2023 tiveram início justamente no Congresso Nacional, primeiro prédio invadido pelos manifestantes. Só na Câmara dos Deputados, mais de 400 computadores foram destruídos, além de móveis, televisores, telefones e obras de arte. Levantamento da Polícia Federal e de pesquisadores da UFMG identificou 186 obras danificadas entre Câmara e Senado.

Somando os prejuízos ao Congresso, ao STF e ao Palácio do Planalto, os danos às obras de arte chegam a cerca de R$ 20 milhões, enquanto os estragos materiais são estimados em R$ 12 milhões.