
Ministra afirma que Lula sinalizou apoio para que ela concorra a uma vaga no Senado
A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), anunciou nesta sexta-feira (30) que pretende deixar o cargo até o dia 30 de março para disputar as eleições deste ano. A decisão, segundo ela, foi tratada em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que sinalizou interesse em vê-la como candidata a uma vaga no Senado Federal.
“Deixo o Ministério do Planejamento até o dia 30 de março ou quando o presidente definir. O presidente avalia que eu sou importante no processo eleitoral e entende que é importante a minha candidatura”, afirmou Tebet a jornalistas após participar de um evento em São Paulo.
De acordo com a ministra, a conversa com Lula teve caráter preliminar e não resultou em decisões fechadas. “Fizemos alguns raciocínios de onde eu posso cumprir melhor a minha missão. Não fechamos nada. Ele queria me ouvir. O presidente tem a virtude de nunca impor nada”, disse.
Pela legislação eleitoral, ministros que desejam concorrer a cargos eletivos precisam se desincompatibilizar — ou seja, deixar o cargo — até seis meses antes do pleito. O prazo final neste ano é 4 de abril.
Simone Tebet afirmou que uma nova reunião com o presidente deve ocorrer na próxima semana e que a definição sobre sua candidatura deve ser tomada até o período do Carnaval.
A ministra não descartou a possibilidade de mudar o domicílio eleitoral para São Paulo, mas disse que o tema ainda não foi discutido formalmente. Segundo ela, o estado já conta com nomes fortes do governo federal cogitados para a disputa. “São Paulo tem dois nomes de peso relevantes, importantes, que têm condições de performar muito bem, que são o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente, Geraldo Alckmin”, afirmou.
Tebet ressaltou que não houve debate sobre cargos ou mudanças partidárias. “Não discutimos mudança partidária, não discutimos cargo, não discutimos nem governo de São Paulo”, declarou.
A ministra ganhou protagonismo nacional nas eleições de 2022, quando concorreu à Presidência da República pelo MDB. Após ficar em terceiro lugar no primeiro turno, com 4,9 milhões de votos (4,16%), declarou apoio a Lula no segundo turno, movimento considerado decisivo por aliados do presidente para a vitória petista.
Nos bastidores, governo e oposição tratam a eleição para o Senado como prioridade estratégica. Em 2026, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras da Casa, o equivalente a dois terços do total. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, terá sete das 15 cadeiras em jogo, enquanto o PT colocará seis de seus nove senadores atuais para disputar a reeleição.
Na tentativa de fortalecer as chapas, Lula também tem incentivado outros ministros a entrarem na disputa. Um dos exemplos é a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), que deve concorrer ao Senado pelo Paraná, apesar de inicialmente planejar disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados.
A movimentação reforça a estratégia do Planalto de buscar nomes de peso para ampliar a influência do governo no Congresso a partir de 2027.



















