Superlotada e com equipes médicas sobrecarregadas, USF Serradinho cai na mira do MPMS

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USF do bairo Serradinho (Foto: Google Maps)

A Unidade de Saúde da Família (USF) Dra. Sumie Ikeda Rodrigues, no bairro Serradinho, caiu na mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Conforme publicado nessa quarta-feira (25), um inquérito civil para apurar a precariedade da estrutura, bem como a superlotação, sobrecarga de profissionais e a dificuldades no atendimento à população.

A 76ª Promotoria de Justiça, responsável pelo processo, destacou que há vulnerabilidade social do território atendido. Segundo documentos encaminhados pela 32ª Promotoria de Justiça da Saúde, a unidade chega a registrar entre 300 e 500 atendimentos por dia, número acima da capacidade operacional recomendada pela Política Nacional de Atenção Básica.

O relatório técnico elaborado após vistoria do MPMS também apontou deficiências estruturais, como a interrupção dos serviços odontológicos devido a um compressor quebrado desde junho de 2025, além da falta de agentes comunitários de saúde em algumas microáreas.

Outro fator que contribui para a pressão sobre a unidade é a estratégia de “acesso avançado”, que destina 70% das vagas diárias à demanda espontânea. Embora a medida tenha reduzido o absenteísmo, aumentou a sobrecarga das equipes.

Atualmente, a USF Serradinho conta com cinco equipes de Saúde da Família e três de Saúde Bucal, apoiadas por residentes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e equipe multiprofissional, mas o MPMS considera que a estrutura ainda é insuficiente para absorver o volume de atendimentos.

Diante disso, foram solicitadas à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informações detalhadas sobre a carga horária dos profissionais, lista de agentes comunitários, registros de visitas domiciliares e o planejamento para a implantação de novas equipes. Também agendou reunião com conselheiros locais de saúde para ouvir diretamente a comunidade.

Ainda conforme o MPMS, o objetivo da investigação é assegurar que o Município adote medidas eficazes para reestruturar o atendimento, garantir número adequado de profissionais, reparar problemas de infraestrutura e assegurar acesso digno e contínuo aos serviços básicos de saúde, direito constitucional de todos os cidadãos.