Investigação aponta rombo de quase R$ 40 bilhões envolvendo operações do Banco Master
A permanência do empresário Daniel Vorcaro na prisão preventiva abriu um novo capítulo nas investigações envolvendo o Banco Master e aumentou, nos bastidores do Judiciário, a expectativa por uma possível delação premiada. A mudança recente na defesa do banqueiro e o avanço do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) reforçaram a pressão por um eventual acordo de colaboração com as autoridades.
A maioria da Segunda Turma do STF já votou para manter Vorcaro preso, decisão que intensificou discussões internas sobre a possibilidade de negociação judicial. Integrantes da Corte ouvidos pela imprensa não descartam que o empresário avalie firmar um acordo, e há indicação de que uma conversa preliminar sobre o tema já ocorreu.
Nesta sexta-feira (13), o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, assumiu oficialmente a defesa do banqueiro, substituindo Pierpaolo Bottini, que anteriormente afirmava publicamente não considerar a hipótese de colaboração premiada. Nos meios jurídicos, a troca de advogados costuma ser interpretada como um possível indicativo de mudança de estratégia processual.
Caso opte pela delação, Vorcaro deverá confessar crimes e apresentar informações relevantes sobre a atuação de outras pessoas envolvidas no esquema investigado. Em troca, poderia obter benefícios legais, como redução de pena ou cumprimento em regime mais brando. Para que o acordo tenha validade, contudo, as declarações precisam ser confirmadas por provas independentes.
STF forma maioria pela manutenção da prisão
O julgamento sobre a prisão preventiva ainda não foi concluído, mas já há maioria formada para manter o empresário na Penitenciária Federal de Brasília. Além do relator do caso, ministro André Mendonça, votaram no mesmo sentido os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Falta apenas o voto de Gilmar Mendes.
O ministro Dias Toffoli, integrante da Segunda Turma, declarou-se suspeito e não participa da análise. Ele havia relatado processos ligados ao Banco Master, mas se afastou após a Polícia Federal identificar mensagens no celular de Vorcaro que faziam referência ao magistrado.
Investigações apontam fraudes bilionárias
A investigação conduzida pela Polícia Federal aponta que Vorcaro teria cometido crimes contra o Sistema Financeiro Nacional por meio de gestão fraudulenta da instituição financeira, além de induzir investidores ao erro e negociar valores mobiliários de forma irregular.
Segundo os investigadores, o empresário estruturou um esquema baseado na emissão de títulos bancários com rendimentos acima da média do mercado para captar recursos. Esses valores teriam sido direcionados a investimentos de alto risco e baixa liquidez dentro do próprio conglomerado empresarial.
O prejuízo estimado chega a quase R$ 40 bilhões, montante que precisou ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Acusações incluem corrupção e organização criminosa
A Polícia Federal também acusa Vorcaro de corrupção ativa e violação de sigilo funcional. De acordo com a apuração, servidores do alto escalão do Banco Central teriam sido cooptados para atuar informalmente como consultores, revisando documentos antes do envio oficial ao próprio órgão regulador e orientando estratégias para evitar fiscalizações.
As investigações ainda apontam crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com uso de contratos simulados de consultoria para disfarçar repasses financeiros e pagamentos de propina.
Entre os elementos investigados está a transferência de ao menos R$ 2,24 bilhões para uma conta em nome do pai do empresário, operada por empresa suspeita de lavar recursos ligados ao crime organizado.
Suspeitas de coação e intimidação
Outro eixo da investigação envolve acusações de coação no curso do processo, fraude processual e denunciação caluniosa. Segundo a Polícia Federal, Vorcaro teria financiado uma estrutura informal chamada “A Turma”, apontada como uma milícia privada responsável por intimidar opositores.
Mensagens interceptadas indicariam ordens para monitorar, ameaçar e intimidar ex-funcionários, concorrentes e jornalistas. Em um dos episódios investigados, teria sido planejada a simulação de um assalto para agredir um jornalista crítico ao empresário.
Com o avanço das investigações e a manutenção da prisão preventiva, cresce a expectativa sobre os próximos passos da defesa e a possibilidade de um acordo que possa ampliar o alcance das apurações envolvendo o sistema financeiro e agentes públicos.











