Trump defende aquisição da Groenlândia e alerta sobre presença de Rússia e China

22
(Foto: Divulgação/The White House)

Presidente dos EUA afirma que Washington precisa assumir controle do território ártico, provocando reação de líderes europeus e autoridades dinamarquesas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que Washington precisa assumir o controle da Groenlândia para impedir que Rússia ou China ocupem o estratégico território ártico no futuro, reforçando sua postura de “segurança nacional” e reacendendo tensões diplomáticas com aliados europeus.

Trump disse a repórteres na Casa Branca, durante encontro com executivos do setor petrolífero, que os Estados Unidos devem “fazer algo com relação à Groenlândia, quer eles gostem ou não”, sob o argumento de que se Washington não agir, potências rivais se estabelecerão na ilha.

Segundo o presidente norte-americano, acordos militares existentes com a Dinamarca não seriam suficientes para garantir a defesa da Groenlândia, que tem cerca de 57 mil habitantes e é um território autônomo dentro do Reino da Dinamarca. Trump ressaltou que os EUA precisam “defender a propriedade” e evitou descartar o uso de força caso negociações falhem.

A proposta de Trump para colocar a Groenlândia sob controle americano inclui discussões sobre o uso de tropas e até pagamentos diretos à população local como forma de convencer a ilha a se separar de Copenhague e considerar uma união com os Estados Unidos.

As declarações provocaram reações duras na Europa e na própria Groenlândia. Lideranças groenlandesas e dinamarquesas repudiaram a ideia de anexação, afirmando que só o povo da ilha e a Dinamarca podem decidir seu futuro. Um grupo de cinco partidos políticos eleitos no parlamento groenlandês declarou que não deseja tornar-se parte dos EUA e reivindicou respeito à autodeterminação.

Chefes de Estado de vários países europeus, incluindo França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido, emitiram uma declaração conjunta defendendo a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia e afirmando que a decisão sobre o território deve ser tomada apenas por Dinamarca e Groenlândia.

Autoridades dinamarquesas também advertiram que qualquer tentativa de tomada forçada poderia pôr em risco a aliança da Otan, da qual Estados Unidos e Dinamarca são membros, e abalar décadas de cooperação militar no Ártico.

O episódio ocorre em meio a um clima já tenso no cenário internacional, com disputas geopolíticas complexas envolvendo China, Rússia e países ocidentais pelo controle de rotas marítimas e recursos naturais no Ártico — uma região cujo degelo aumenta o interesse estratégico e comercial global.