Um mês de guerra: cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã segue distante

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Irã recusou plano de paz enviado pelos EUA (Foto: Reprodução/X/@netanyahu/Reprodução/IRIB/Reprodução/White House)

Teerã rejeita proposta americana de paz e Israel ameaça ampliar ofensiva militar contra alvos iranianos

Um mês após o início dos bombardeios que mudaram o equilíbrio político e militar no Oriente Médio, a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã chega a este sábado (28) sem acordo de paz, com aumento da tensão diplomática e novas ameaças militares. Enquanto Washington afirma avançar em negociações, Teerã rejeita publicamente qualquer entendimento e Israel promete ampliar a ofensiva.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que pretende interromper os ataques contra usinas de energia iranianas até 6 de abril, afirmando que as conversas com o governo iraniano estão indo “muito bem”. Apesar do discurso otimista, não há consenso sobre um cessar-fogo.

Segundo a Cruz Vermelha, o conflito já deixou mais de 1.900 mortos e ao menos 20 mil feridos desde o início das operações militares.

Entre as mortes confirmadas está a do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, atingido logo no primeiro dia da ofensiva. Com a ausência do líder religioso, seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu o comando do país no início de março — decisão que provocou críticas do presidente americano.

“Eu não acho que ele vai levar a paz para o Irã. O país continuará com os mesmos problemas”, afirmou Trump ao comentar a sucessão.


Impasse sobre cessar-fogo

As negociações seguem travadas. Na quarta-feira (25), os Estados Unidos enviaram ao Irã, por meio do Paquistão, uma proposta de paz composta por 15 pontos.

O plano previa, entre outras medidas:

  • compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares;
  • limitação do alcance e da quantidade de mísseis;
  • desativação das usinas de enriquecimento de urânio em Natanz, Isfahan e Fordow;
  • fim do financiamento a grupos aliados como Hamas e Hezbollah;
  • criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.

O governo iraniano rejeitou a proposta. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o porta-voz militar Ebrahim Zolfaghari descartou qualquer negociação com Washington.

“Nossa primeira e última palavra continua a mesma. Nunca chegaremos a um acordo”, declarou.

Apesar do tom público de recusa, a emissora estatal Press TV informou que um representante iraniano apresentou condições para encerrar o conflito, incluindo pagamento de reparações de guerra, garantias de não retomada dos ataques e reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.


Israel ameaça ampliar ofensiva

Israel indicou que os ataques podem se intensificar nos próximos dias. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o Irã “pagará um preço alto e crescente” pelos ataques contra território israelense.

Segundo ele, as forças israelenses devem ampliar operações contra instalações ligadas à produção e ao armazenamento de armamentos. Bombardeios recentes atingiram estruturas militares no centro de Teerã, além de depósitos e lançadores de mísseis no oeste do país.

No mesmo período, um míssil disparado do Líbano atingiu Israel e deixou uma pessoa morta.


Fechamento do Estreito de Ormuz pressiona economia global

A guerra também provocou efeitos imediatos na economia mundial. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz para embarcações ligadas a países aliados dos Estados Unidos e de Israel.

O corredor marítimo é considerado estratégico para o comércio internacional, especialmente para o transporte de petróleo. Segundo o governo iraniano, navios que tentaram atravessar a região foram advertidos e obrigados a recuar.

A medida fez disparar os preços do petróleo. O barril do tipo Brent, que custava cerca de US$ 60 no fim de 2025, ultrapassou os US$ 100 e chegou próximo de US$ 120 durante o conflito.

Trump afirmou que poderá ordenar a destruição das usinas de energia iranianas caso o estreito não seja reaberto até 6 de abril.


Como começou o conflito

Segundo os Estados Unidos, a ofensiva militar tem como objetivo neutralizar ameaças consideradas iminentes, incluindo instalações nucleares e sistemas de mísseis balísticos atribuídos ao Irã.

O conflito se intensificou rapidamente e passou a envolver diferentes frentes regionais, ampliando o risco de escalada no Oriente Médio e aumentando a pressão internacional por um acordo de paz — que, após um mês de guerra, ainda parece distante.