O Dia da Consciência Negra celebrado anualmente em 20 de novembro, neste sábado de 2021, ante diversas situações ocorridas no Brasil e pelo Mundo no último ano, ressalta que a luta contra o racismo precisa ser um compromisso de todos que buscam uma sociedade justa e igualitária. Os movimentos Negros e sociais defendem que neste dia especifico, seja a ponta, o retorno, a ida de um caminho que prossiga para uma real ‘Consciência Negra’ no dia-a-dia de todo ‘Ser humano’. A celebração neste dia 20, é em alusão à morte de Zumbi, líder do Quilombo de Palmares, que morreu nesse dia, em 1695. Ele lutou contra a escravidão e foi assassinado enquanto defendia os direitos do povo negro. Veja a seguir números nacional e que o Sindicato dos Bancários de Campo Grande dá um exemplo da diferença social na Capital.
A data busca reforçar a importância das ações de combate ao racismo e à desigualdade social no país, assim como promover a valorização da cultura afro-brasileira, que mesmo representando 56,10% da população do Brasil, os negros e negras ainda são minoria em praticamente todas as instancias da sociedade. A exceção da presença dos negros é na pobreza e discriminações, onde são uma maioria quase absoluta. O desemprego também causa maior impacto na população negra. A PNAD Contínua trimestral, divulgada pelo IBGE em agosto deste ano, mostra que a taxa de desocupação entre as pessoas brancas foi de 11,7%, abaixo da média nacional (14,1%), enquanto entre os pretos (16,6%) e pardos (16,1%) ficou acima.
A população negra também continua mais vulnerável à violência. O Atlas da Violência 2021 mostra que 77% das vítimas de homicídio no Brasil são negras, isso significa que a chance de um negro ser assassinado é 2,6 vezes maior do que a de um não negro.
E um exemplo da disparidade vem do Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região (SEEBCG-MS), que de acordo com o censo da categoria bancária, os negros representam apenas 28,2% e os pardos 24,3% do quadro de funcionários. Os dados revelam ainda que o racismo dificulta a ascensão profissional dos negros e negras, pois apenas 4,8% estão nos cargos de diretoria das instituições financeiras. O movimento sindical cobra constantemente ações dos bancos para alterar esse cenário e garantir a igualdade de oportunidades para todos.
“Lutamos pela contratação de mais negros e negras porque sabemos que o sistema financeiro ainda é muito desigual e excludente. Não podemos aceitar a discriminação racial, essa é uma luta constante que precisa da participação de todos. O Dia da Consciência Negra é um grito por mais respeito e igualdade, só assim podemos construir um futuro melhor e mais justo para todos”, afirma a presidenta do SEEBCG-MS, Neide Rodrigues.
Luta, resistência e reflexão
Já Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), explica que esse é um momento de luta, resistência e reflexão. “Nós precisamos de uma sociedade antirracista e o bancário tem um papel importante nessa discussão. Em Salvador, por exemplo, onde praticamente 80% da população é negra, tem agência bancária que não tem funcionários negros ou esse trabalhador está em funções menos qualificadas”, critica o secretário da Contraf-CUT.
O dirigente sindical cita ainda o caso de George Floyd, homem negro que morreu depois de ter o pescoço pressionado por um policial branco, nos Estados Unidos. O caso gerou uma onda de protestos contra o racismo. “Os negros representam pouco mais de 13% da população americana, então, era possível observar que, em algumas cidades, a maioria dos manifestantes eram brancos, que têm a visão antirracista. Isso que precisamos ter aqui, uma luta de todos por uma sociedade sem racismo”, afirma o secretário da Contraf-CUT.
Retrocessos no Brasil
De acordo com Almir Aguiar, nos últimos anos, o Brasil teve retrocessos na luta contra o racismo. “A redução de políticas afirmativas, a extinção da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, e a escolha de um presidente da Fundação Palmares que não atende ao papel da instituição, que é o de promover a cultura negra no país, por exemplo, contribuíram para acentuar o racismo em nosso país”, afirma o secretário da Contraf-CUT.
O racismo estrutural atua em diversas dimensões e camadas da sociedade a partir da desvalorização e restrição de oportunidades de pessoas negras na ascensão social. Por isso, a luta contra o racismo precisa fazer parte do cotidiano da população brasileira e da elaboração de políticas públicas.
“Mais da metade dos brasileiros são negros, mas no Congresso um parlamentar que faz o debate sobre o tema é chamado de ‘líder da minoria’, só que nós não somos minoria, pelo contrário. Esse é outro ponto, precisamos de parlamentares que sejam a ‘cara do povo’, uma Câmara branca, um Senado branco, não representa a realidade do país. Isso vale para Assembleias e Câmaras de Vereadores”, avalia Almir Aguiar.




















