Evento reúne devotos de São Jorge e reforça tradições afro-brasileiras em Campo Grande
Entre o batuque do samba, o cheiro da feijoada no fogo e a devoção que atravessa gerações, a Vila Carvalho transforma a manhã deste domingo (19) em um encontro de fé, cultura e ancestralidade com a tradicional Feijoada de Jorge. O evento começa a partir das 11h, na quadra da Escola de Samba Vila Carvalho, localizada na Rua Joaquim Manoel de Carvalho, 395. A celebração reúne moradores, sambistas e devotos em uma programação que mistura religiosidade, música e partilha de alimentos.
Mais do que uma festa, a iniciativa é considerada um espaço de fortalecimento da cultura popular e da espiritualidade afro-brasileira. Neste ano, o evento conta com apoio do Grupo Trabalho e Estudos Zumbi (Grupo TEZ), por meio do projeto “Festividades Religiosas: Saberes e Ancestralidade”.
A proposta do projeto é valorizar manifestações religiosas tradicionais em diferentes territórios de Mato Grosso do Sul, como já ocorreu em celebrações como a Folia de Reis na Comunidade Quilombola Águas de Miranda, em Bonito, e a Festa de São Sebastião na Comunidade Indígena Tarsila do Amaral, em Campo Grande.
Fé, cultura e resistência
Símbolo de proteção e coragem, São Jorge é reverenciado em diferentes tradições religiosas. No catolicismo, é lembrado como o santo guerreiro; já nas religiões de matriz africana, é associado a Ogum, orixá ligado à luta e à abertura de caminhos.
A imagem do santo enfrentando o dragão se torna, para os fiéis, representação de resistência e superação das injustiças.
Para a professora Bartolina Ramalho Catanante, conhecida como professora Bartô e presidente do Grupo TEZ, apoiar a Feijoada de Jorge é reconhecer a força dessas manifestações.
“As festividades religiosas são espaços onde a fé encontra a cultura e a memória do nosso povo. Quando a gente participa de uma celebração como essa, está afirmando a presença da cultura negra nos territórios urbanos e nas comunidades”, afirma.
Segundo ela, o projeto busca justamente fortalecer esse elo entre espiritualidade e identidade cultural.
“São manifestações que carregam ancestralidade, resistência e pertencimento. Apoiar essas festas é fortalecer a memória coletiva e valorizar saberes que continuam vivos”, diz.
Tradição que forma gerações
Bartô também destaca o papel educativo das celebrações comunitárias.
“Quando a comunidade se reúne em torno de um santo, de uma comida partilhada, de uma roda de samba, ela também está ensinando. Está mostrando para os mais jovens de onde vêm essas tradições e por que elas precisam continuar”, explica.
Na Vila Carvalho, a Feijoada de Jorge se consolida como um espaço de convivência e identidade coletiva. Entre o samba e a feijoada preparada em conjunto, o evento reforça laços comunitários e a devoção ao santo guerreiro.
Mais do que um almoço festivo, a celebração se afirma como um ato de continuidade cultural, onde fé, memória e comunidade se encontram para manter viva uma tradição que atravessa gerações.




















