A secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD) também está participando da Operação Além-Mar desencadeada na manhã desta terça-feira (18) pela Polícia Federal do Brasil. Em uma propriedade rural no distrito de Cerro Cora’y nas proximidades de Pedro Juan Caballero foram apreendidos 310 quilos de cocaína.
Segundo o governo paraguaio o entorpecente pertencia a quadrilha de Sérgio de Arruda Quintiliano Netto, o Minotauro, apontado como um grande traficante com ligações com uma facção criminosa paulista. Ele foi preso no passado em Santa Catarina e cumpre pena em um presídio federal.
Durante três anos de troca de informações entre a SENAD e a Polícia Federal brasileira diversos carregamentos de droga pertencentes a Minotauro teriam sido apreendidos. A droga vinha do Peru, Colômbia e Bolívia e depois de passar pelo Paraguai eram despachados para o Porto de Recife e de lá mandados de navios para a Europa.
Na operação desta terça-feira a SENAD apreendeu também um carregamento de maconha que está sendo pesado. No Mato Grosso do Sul a Operação Além-Mar cumpre mandados em Ponta Porã e Corumbá. Ao todo estão sendo cumpridos 139 mandados de busca e apreensão e 50 mandados de prisão (20 prisões preventivas e 30 prisões temporárias), expedidos pela 4ª Vara Federal – Seção Judiciária de Pernambuco. Os mandados são dirigidos a endereços e pessoas localizados em 13 estados (AL, BA, CE, DF, GO, MS, PA, PB, PE, PR, RN, SC, SP).
O juízo da 4ª Vara Federal de Pernambuco determinou o sequestro de sete aviões, cinco helicópteros, 42 caminhões e 35 imóveis (entre casas em áreas urbanas e fazendas) de quatro quadrilhas que foram responsáveis pelo envio de toneladas de cocaína para a Europa via portos brasileiros, especialmente o de Natal. Além disso, a Justiça bloqueou R$ 100 milhões dos investigados por lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas.
Os investigadores identificaram quatro organizações criminosas que trabalhavam de maneira coordenada com ‘modus operandi dividido em três fases: internação da cocaína pela fronteira com o Paraguai e armazenamento no interior de São Paulo; transporte interno da droga para as regiões de embarque marítimo e armazenamento em galpões; transporte internacional mediante embarque da droga em navios de carga (contaminação de containers) ou veleiros.
De acordo com a PF, os grupos criminosos se organizaram da seguinte maneira:
1ª – Estabelecida em São Paulo e responsável pela ‘importação’ da cocaína pela fronteira com o Paraguai, transportando a droga por via aérea até o Estado e distribuindo-a no atacado para organizações criminosas estabelecidas no Brasil e na Europa;
2ª – Sediada em Campinas, é parceira do grupo paulistano e recebia a cocaína para distribuição interna e exportação para Cabo Verde e Europa;
3ª – Estabelecida em Recife, é integrada por empresários do setor de transporte de cargas, funcionários e motoristas de caminhão cooptados e provê a logística de transporte rodoviário da droga e o armazenamento de carga até o momento de sua ocultação nos contêineres;
4ª – Também é sediada em São Paulo, na região do Brás, e atua como banco paralelo, disponibilizando sua rede de contas bancárias – titularizadas por empresas fantasma, de fachada ou em nome de ‘laranjas’ – para movimentação de recursos de terceiros, de origem ilícita, mediante controle de crédito/débito, cujas restituições se dão em espécie e a partir de TEDs, inclusive com compensação de movimentação havida no exterior (dólar-cabo).
(Com informações do MS em Foco e Agência Estado)











