Quatro são denunciados pelo MPE por homicídio qualificado no crime que matou detetive em Dourados

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Givaldo acusado de ser mandante do crime. (Foto: Oswaldo Duarte/D.News)

Em desdobramentos a respeito do caso da morte da detetive particular Zuleide Lourdes Teles Rocha, o Ministério Público Estadual (MPE), denunciou na manhã desta sexta-feira (9), quatro pessoas envolvidas no crime, pela prática de homicídio qualificado, com motivo torpe, dissimulação e emboscada pelo feminicídio, cometido no dia 19 de junho, onde a detetive morreu com um tiro na cabeça em Dourados.

Givaldo Ferreira dos Santos, até então marido da vítima seria quem teria encomendado o crime. Sendo assim as acusações são voltadas principalmente a ele. O Filho do acusado, Wllian Ferreira dos Santos também estaria envolvido, juntamente com o pai e José Olímpio de Melo Junior, este que seria o autor do disparo, conforme investigado pela polícia.  E ainda a citada no processo, a guia espiritual de Givaldo, mandante do assassinato, quem teria participado da armadilha que atraiu Zuleide para a morte, se passando por uma cliente.

Motivos Torpes

Um anexo feito aos autos do processo que estão em trâmite na 3ª Vara Criminal da Comarca de Dourados, assinado pela promotora de Justiça Claudia Loureiro Ocáriz Almirão, denúncia os envolvidos supracitados, por participarem do crime por motivos torpes, que indicam ganância e interesse em se beneficiar economicamente com a morte de Zuleide, onde se identifica a pretensão do então marido de se apossar dos bens pertencentes a vítima.

“Com isso, os denunciados Willian, José Olímpio e Sueli visavam obter ganhos financeiros decorrentes da apropriação pelo denunciado Givaldo do patrimônio amealhado com a vítima”, disse a promotora.

Armadilha

Conforme o MPE, o autor do disparo fatal José Olímpio de Melo Junior, realizou o serviço pelo qual receberia R$25 mil do mandante Givaldo.

“O homicídio foi executado mediante dissimulação e emboscada, pois, executando plano previamente engendrado entre si, os denunciados atraíram a vítima para a emboscada que resultou em sua morte. Nesse sentido, a denunciada Sueli da Silva utilizou a linha telefônica e o celular, fornecidos pelo denunciado Givaldo, para marcar um encontro com a vítima Zuleide, apresentando-se ardilosamente como pretensa cliente de seus serviços de investigadora particular e, assim, atraiu-a para a localidade onde os denunciados José Olímpio e Willian Ferreira a tocaiaram e José Olímpio matou-a com um tiro na cabeça”, detalha a denúncia.

Celulares Apreendidos

Foi requerido também pelo MPE a autorização para periciameto e análises do conteúdo dos aparelhos celulares apreendidos com os acusados. “Para acesso aos aplicativos diversos, notadamente aqueles de troca de mensagens e conversas, inclusive para que sejam restauradas mensagens e arquivos excluídos”, informou o MPE.

Visa ainda a quebra de sigilos telefônicos, já que foi a partir de um número telefônico encontrado no carro da vítima que a abandonado em Laguna Carapã que ajudou a polícia Civil a esclarecer o caso.

Encontrado anotado em um guardanapo, o contato trazia também um lembrete, que dizia: “Atender amanhã Vival dos Ipês”, local onde o corpo foi encontrado. O MPE narra que essa linha estava cadastrada em nome de uma mulher e dias antes do homicídio havia sido utilizada por Givaldo no contato com outra pessoa, que confirmou a ligação no dia 17 de junho. Além disso, o cartão do chip dessa linha foi achado na casa de Sueli.

Presos

A promotora de Justiça Claudia Loureiro Ocáriz Almirão, pleiteia que seja mantida a prisão preventiva dos acusados. O suspeito Willian Ferreira está na cadeia pública de Jaciara, localizada no estado do Mato Grosso, munícipio onde foi preso após o crime. Givaldo e José Olímpio seguem em cárcere na Penitenciaria de Dourados (PED).

Já Sueli, o MPE diz que “não desenvolve nenhuma atividade laborativa lícita e tentou empreender fuga, saindo da cidade quando os fatos vieram à tona, não apresenta os atributos que legitimem o entendimento de que represente amparo e proteção aos filhos, os quais deixou com os pais para tentar fugir da polícia”.

Além disso, Sueli da Silva disponibilizou sua própria residência, na qual supostamente residem os filhos, para os encontros destinados ao planejamento do crime e também para a guarda da arma de fogo empregada na sua execução. A par disso, Sueli da Silva reside nas proximidades dos familiares da vítima, os quais encontram-se atemorizados pela possibilidade de que ela haja negativamente sobre eles. Evidentemente não se cuida de temor abstrato, posto que amparada nas ações em concreto de Sueli da Silva que, atuando como ‘guia espiritual’ dos demais acusados, pois se apresenta como ‘Mãe de Santo’ conduziu-os à empreitada criminosa que resultou na morte de Zuleide”, pontuou a promotora de Justiça.

Foi concedido para Sueli da Silva, na audiência de custódia do dia 23 de junho a liberdade, diante de medidas acautelares, impostas pelo juiz Caio Márcio de Britto. A suspeita fica proibida de se comunicar de qualquer maneira, com parentes de Zuleide ou dos demais acusados, além de ter de permanecer em sua casa aos sábados, domingos e feriados e também nos demais dias da semana entre as 19h00 e 6h00 da manhã.