Após uma década de sua morte, Jefferson Bruno Gomes Escobar, o Brunão, por meio de sua família, vê sair a sentença condenatória de seu algoz, o então lutador Cristhiano Luna de Almeida, 34 anos. Por 4 x 3, os jurados desclassificaram a denúncia de homicídio simples e condenaram o homicida por lesão corporal seguida de morte, contra o então segurança da boate Valley Pub, onde o rapaz trabalhava. O caso ocorrido há quase 11 anos, já até teve uma primeira sentença a exatos quatro anos, que foi anulada e antes, como agora, já passou por muitos recursos, chegando a este segundo julgamento.
Cristhiano Luna, até já ficou preso por 15 meses, mas está em liberdade, e mesmo como réu condenado agora, ainda responderá-recorrerá em liberdade, com base em habeas corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Ontem, no total, a pena imposta foi de 10 anos de reclusão (prisão), sendo descontado período de 1 ano e 3 meses, em tempo que já permaneceu preso, após o crime, em período de investigação e até conseguir habeas corpus.
A sentença de ontem, foi proferida pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, 1ª Vara do Tribunal do Juri, Luna foi condenado a pena de 8 anos e 6 meses de reclusão pela lesão corporal seguida de morte; já na injúria racial, 1 ano e 6 meses de prisão e 20 dias-multa por ter xingado garçom da casa noturna, fato que desencadeou o desentendimento com seguranças.
O caso da morte de Brunão, se iniciou com ele sendo segurança da Valley, casa noturna na Avenida Afonso Pena, no centro de Campo Grande, onde morreu aos 29 anos, no dia 19 de março de 2011. Brunão retirava Cristhiano do local por importunar garçom. A discussão evoluiu para agressão física e a vítima foi golpeada, na claçda em frente a boate, morrendo no local.
Primeira condenação com pena maior
A condenação anterior, de primeiro júri, foi em 29 de novembro de 2017, já sendo então seis anos e oito meses depois do crime. Naquele novembro, a quatro anos atrás, Luna havia sido sentenciado a 17 anos e 6 meses de prisão, em regime fechado, por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e sem chance de defesa para vítima).
A defesa recorreu, conseguiu reduzir a pena para 14 anos, 11 meses e 5 dias e, em novo recurso, alegou irregularidades no processo e conseguiu anular o julgamento. Agora, foi imposta a nova condenação, de 10 anos de prisão, em regime fechado.
Reações das famílias
O agora condenado, pela segunda vez, contudo ainda saiu do Tribunal, sem ir cumprir a pena na cadeia, devido ao sistema Judicial brasileiro, que lhe dá diversos recursos a Tribunais Superiores. Por isso vemos sentença não sendo cumpridas de imediato e processo que se arrastam por anos e anos, como é o caso presente de Luna. O caso já tem mais de 10 anos na Justiça.
Assim, Luna saiu de mãos dadas com a namorada, mesmo tendo também sua família saindo abalada por conta da sentença em regime fechado, mesmo que ele ainda possa recorrer em liberdade. A mãe dele chorou, disse que não aguentava mais.
Já no lado da verdadeira vitima, que ainda ficou com a perda da vida do filho, a mãe de Brunão, a cozinheira Edcelma dos Santos Vieira, 50 anos, chorou muito ao ouvir a sentença. “Pelo menos, não saiu impune, há 10 anos, ou já a pouco mais, nós esperamos por isso aí. Teve o resultado, mesmo que a Justiça nem sempre é como queremos e ainda ficamos a esperar a pratica total”, lamentou.
A dona Edcelma, ainda emocionada, acrescentou. “Esperava que ele saísse daqui preso, mas pelo menos, não saiu impune”, comentou na questão que referimos acima dos caminhos ‘longos’ da Justiça do Brasil.
Advogados ainda comemoraram
A redução da pena, quase na metade da anterior anulada, tendo o crime sido reduzido ou desqualificado, foi motivo de comemoração dos advogados de Luna. Eles ainda recorreram e protelaram a possível cadeia a Luna, que descontado o período que ficou preso na época do crime, ficará preso teoricamente oito anos e sete meses. Há a progressão de regime fechado para semi-aberto e aberto com o cumprimento de parte da pena.
Os advogados de defesa de Luna, José Belga Trad e Fábio Trad Filho, já informaram que vão recorrer da decisão, mas acreditam que pode ser considerada vitória, pela desclassificação do homicídio e que os jurados aceitaram a tese de que o rapaz não teve intenção de matar.

















