Campo Grande não desenvolve ações concretas e duradoras para garantir a destinação do lixo produzido nas casas. Essa foi a grande constatação da audiência pública promovida pela Comissão Permanente de Meio Ambiente da Câmara Municipal na sexta-feira (03) que debateu a redução dos impactos causados pelo descarte dos resíduos orgânicos e inorgânicos na cidade. O evento reuniu autoridades e especialistas em engenharia ambiental e outras áreas relacionadas ao tema.
Dados apresentados pela professora Karina Ocampo Righi-Cavallaro, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), apontam que Campo Grande produz, mensalmente, 22 mil toneladas de resíduos, gerando um custo de cerca de R$ 3,3 milhões para o poder público dar a destinação correta. Metade dessa quantidade é composta por resíduos orgânicos. “São pagos 300 reais por tonelada para a empresa enterrar nossos resíduos. Estamos gastando para enterrar resíduos orgânicos, os quais a gente deveria estar devolvendo ao ciclo natural, para o solo, para a produção de alimentos”, observou.
Ainda segundo a avaliação dela, a Capital tem atualmente apenas ações pontuais sobre o tema de descarte e reaproveitamento do lixo orgânico. “Temos praticamente inexistência de ações do poder público de Campo Grande. A grande maioria são ações de empresas privadas. Precisamos urgentemente mudar nossa postura em relação aos resíduos, pois nosso meio ambiente está pedindo socorro. Cada um é responsável. Você precisa separar recicláveis e orgânicos e, assim, teremos soluções”, pontuou a educadora.

Membro do Conselho Nacional de Saúde e presidente da Associação Pestalozzi de Campo Grande, a advogada Gyselle Saddi Tannous também alertou sobre os riscos do descarte irregular e do não aproveitamento dos resíduos. “O lixo que estamos produzindo e deixando na natureza, teremos, no futuro, reflexos importantes. Precisamos refletir hoje qual é o futuro que queremos. Se não houver agora uma ação, sofreremos com essas consequências. Temos que tratar de forma multisetorial e que possamos fazer, agora no presente, nosso futuro melhor”.
A educadora ambiental da Solurb, empresa responsável pela coleta e tratamento do lixo de Campo Grande, Mara Calvis, destacou que a empresa tem desenvolvido ações de conscientização. “Ninguém conscientiza ninguém. A consciência é da pessoa. Nós levamos informações, mostramos como participar, pois somos geradores desses resíduos residenciais. Sustentabilidade é destinar corretamente o resíduo reciclado para gerar rendas às famílias que dependem dele”, disse.
O vereador Prof. André Luís, proponente do debate, destacou que a questão do resíduo está virando mais que um problema, mas uma solução. “Hoje, cooperativas de catadores vivem desse resíduo. Mas, precisamos otimizar ainda mais sua utilização. O problema da geração de riqueza passa, necessariamente, pelo consumo. Temos que desenvolver o consumo responsável. Produzimos, consumimos e descartamos. O ciclo não fecha. Quando se fechar, o consumo vai ser solução de problema”.
De acordo com o parlamentar, a parte do reaproveitamento de resíduos fecha o ciclo perfeito e o consumo passa a não ser problema. “Temos que focar, hoje, século 21, no reaproveitamento total daquilo que produzimos. Fechamos o ciclo de consumo e reaproveitamento. Assim, o impacto na natureza será zero. Todas as pessoas podem participar”, completou.





















