A crise econômica brasileira ou ação de rotina? A resposta pode surgir, mas o fato real imediato é que nesta quinta-feira (11), o Frigorífico Friboi, da JBS, localizado em Nova Andradina, anunciou férias coletivas a todos os seus funcionários. Assim, a empresa ‘para’, ao menos por um mês, suas atividades da unidade que tem capacidade de abate superior a 700 cabeças de gado por dia na cidade cidade a 298 km de Campo Grande. A situação foi parecida em abril deste ano, quando a unidade de Ponta Porã, já foi fechada e cerca de 380 funcionários foram realocados ou demitidos.
A empresa anunciou fechamento de unidade em Ponta Porã, na fronteira de MS com o Paraguai, por meio de nota. “A JBS decidiu concentrar a produção de carne bovina em suas demais unidades no estado do Mato Grosso do Sul. Aos colaboradores que trabalham na planta de Ponta Porã, a companhia abriu a possibilidade de transferência para as unidades de Anastácio, Naviraí e Nova Andradina, oferecendo uma ajuda de custo para a mudança. A Companhia tem prestado toda a assistência necessária, seguindo a legislação vigente”, afirmou a multinacional em abril, por meio de nota a imprensa.
Já neste mês, de acordo com o jornal Valor Econômico, férias coletivas foram anunciadas em outras unidades da JBS, que é a maior indústria de carne do mundo, em agosto: Pontes e Lacerda (MT), Colíder (MT), Alta Floresta (MT), Redenção (PA) e Tucumã (PA). Todos esses frigoríficos não estão habilitados para vender para a China, o mercado mais lucrativo.
Os funcionários da empresa em Nova Andradina alegam que crise no setor motivou decisão. No entanto, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação da cidade afirma que suspensão das atividades não tem motivo financeiro. “Foi avisado ao sindicato que a unidade passará por reforma, por isso serão dadas férias coletivas”, afirma Alessandro Paula, tesoureiro do sindicato.
O curioso, que no mês passado, a unidade abriu um processo de seleção para 37 vagas com oportunidades para refilador, desossador, operador de armazenagem, operador de produção, cozinheira, auxiliar de cozinha e motorista.
Crise
Para representantes do setor, entretanto, o momento é preocupante. “O que a gente sabe é que o mercado está muito ruim, não está tendo venda, o povo está sem poder aquisitivo e, com isso, não estão consumindo carne”, pontua Regis Luís Comarella, presidente do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados do Estado de Mato Grosso do Sul).
“O boi está caro e o preço de venda da carne não está cobrindo o valor da arroba, nem mesmo se a venda for destinada à exportação. Nada fecha a conta”, completa Comarella. O representante acredita que a única saída é melhorar o poder de compra do consumidor, para que os preços se estabilizem.
“É preciso baixar o preço da arroba, mas isso fica ruim para o pecuarista, que tem um alto custo de produção. Por isso, precisa aumentar o poder aquisitivo dentro do país. Em todo Brasil todas plantas frigoríficas estão deficitárias, isso é preocupante. Se não melhorar o poder aquisitivo da população, muitas empresas vão fechar”, analisa o presidente.





















