O psicólogo Jorge Zacarias, 63 anos, de Dourados, está se complicando ou vendo sua situação de abusador sexual, apesar da profissão, se revelar na atualidade, com casos revelados nesta semana, mas também com sua vida pregressa no delito, não sendo acusado pela primeira e quiçá num deslize momentâneo. Ele foi preso nesta terça-feira (13), acusado de abusar sexualmente de paciente de apenas 15 anos, já por algum tempo, e em menos de um dia, já tinha mais duas denunciantes pelo mesmo crime, como o Enfoque MS noticiou ontem.
O que poderia ser uma ‘primeira vez’, já não o é, pois Jorge Zacarias, teria praticado um estupro a quase dez anos atrás, em 2013, e já foi condenado por tentativa de estupro de outra paciente em 2015. Contudo, a sentença de um ano e seis de reclusão foi anulada dois anos depois pelo TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). A anulação o faz sem ficha condenatória, mas expõe que sua ação de abuso contra mulheres, não é nova e se pode ‘julgar’, que o faz como meio de vida e caráter de ações criminosas. E tudo piora com ataque a mulheres-meninas menores de idade e em busca de tratamento profissional, que ele ‘vende’, em sessões de terapia particular.
A condenação de primeira instancia, anulada, pela segunda instância no TJ-MS, se refere a processo de então denúncia feita à Polícia Civil de Dourados em julho de 2013, por uma paciente, na época com 22 anos. Conforme os depoimentos da vítima, Jorge Zacarias teria praticado os abusos aproveitando que ela estava hipnotizada. Zacarias é formado em psicologia há 11 anos e tem como especialização a hipnoterapia educativa – técnicas hipnóticas utilizadas como auxílio para tratamento de transtornos emocionais, físicos e psicológicos). Ele também tem formação em teologia e atua como pastor evangélico.
A vítima disse em depoimentos à polícia e depois ao Poder Judiciário que procurou tratamento devido a problemas emocionais que apresentou após ter bebê, principalmente após o fim do relacionamento com o pai da criança. Ela ainda amamentava o filho quando fazia terapia. A criança ficava com a irmã dela, na recepção, enquanto era atendida por Zacarias. Na época, Jorge Zacarias tinha consultório em uma galeria de salas na Rua Hilda Bergo Duarte, na Vila Planalto, região norte de Dourados.

Denúncia de 2013
Conforme a ação de quase uma década, o inquérito policial foi instaurado em 3 de setembro de 2013. A mulher denunciou que durante as sessões de hipnose, o psicólogo passava as mãos em seu corpo, tentava abrir suas pernas e falava no seu ouvido que ela deveria se apaixonar por ele para esquecer o ex-namorado. “A vítima foi até o consultório do denunciado por quatro vezes e este lhe propôs que tentasse a técnica de hipnose, a qual ajudaria a acalmá-la. Ocorre que, a partir da terceira sessão, o denunciado passou a utilizar a hipnose para praticar atos libidinosos na vítima”, afirma denúncia feita em 30 de maio de 2014, pelo promotor de Justiça Romão Avila Milhan Junior.
A então vítima, apontou que mesmo hipnotizada, segundo a denúncia, ela sentia tudo o que estava acontecendo, “porém não conseguia abrir os olhos, nem se mover, razão pela qual começou a chorar e o denunciado [Zacarias] resolveu despertá-la da hipnose”.
Ao final da terceira sessão, a vítima denunciou que o psicólogo tentou beijar sua boca, mas ela virou o rosto no momento. Já na quarta consulta, segundo ela, os abusos foram ainda mais explícitos. “No dia 01 de agosto de 2013 a vítima retornou ao consultório para a quarta sessão de hipnose, porém, desta vez, não se deixou hipnotizar por ele, apenas fingiu que não estava consciente. Durante a sessão, o denunciado afirmou que a vítima ficaria excitada e começou a acariciar a barriga dela, levantou o cós da calça para olhar sua calcinha e ainda tentou abrir suas pernas. A vítima, transtornada com a ação do denunciado, levantou-se e foi embora do consultório imediatamente”, afirma outro trecho da denúncia.
Assim, a mulher relatou em seus depoimentos que ao chegar à recepção, onde estava sua irmã com seu filho no colo, disse que não voltaria mais ao local porque o psicólogo era “um tarado”.

Negou e acusou a paciente
Jorge Zacarias foi intimado a prestar depoimento na delegacia e negou todas as acusações. Apesar de alegar sigilo profissional sobre detalhes das consultas, disse que a ex-paciente apresentava transtornos de humor e “comportamento estranho”. A denúncia do MP foi recebida pela Justiça no dia 3 de junho de 2014.
A defesa do psicólogo pediu arquivamento do processo alegando “ausência absoluta de provas da materialidade, inexistência de comprovação e presença apenas de depoimentos derivados da versão da suposta ofendida”. Também apontou “completa incoerência das declarações” e “comprometido do estado mental” da vítima.
Na fase processual, o MP entendeu que o crime se tratava de tentativa de estupro, cuja pena mínima é inferior a um ano de reclusão, e propôs a suspensão do processo mediante algumas condições, entre as quais doação de 10 salários mínimos em dez parcelas para um abrigo de crianças. Entretanto, Jorge Zacarias rejeitou o acordo.
Sentença dada e após negada
Em 17 de agosto de 2015, o juiz Marcus Vinícius de Oliveira Elias, da 2ª Vara Criminal de Dourados, condenou o psicólogo a um ano, seis meses e 20 dias de reclusão, mas decidiu substituir a pena privativa de liberdade por restrições de direitos, entre as quais suspensão do exercício da psicologia pelo tempo de cumprimento da pena.
Jorge Zacarias recorreu então ao TJ-MS alegando que a condenação se baseava apenas nos depoimentos da paciente. O recurso da defesa chegou a apontar a vítima como pessoa com graves problemas mentais. O recurso foi analisado pela 3ª Câmara Criminal. O relator do caso, desembargador José Ale Ahmad Netto, votou pela manutenção da condenação, mas seu voto foi vencido pelos desembargadores Carlos Eduardo Contar e Ruy Celso Barbosa Florence.
Assim, com o recurso no TJ-MS, no dia 10 de julho de 2017, a sentença foi anulada e livrou Jorge Zacarias da então acusação formal e então primeira condenação oficial.
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