
Um velho conhecido dos médicos pediatras tem sido objeto de preocupação desde o afrouxamento das medidas restritivas impostas pela pandemia de Covid-19: o VSR (vírus sincicial respiratório), que afeta crianças e pode causar doença grave especialmente em bebês.
No ano passado, o Brasil teve pelo menos dois picos de infecções, um no primeiro semestre e outro no segundo. Entretanto, 2022 terminou com um novo sinal de aumento.
O boletim InfoGripe, um monitoramento periódico feito pelo Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), mostrava que o VSR representava apenas 0,5% das internações por Srag (síndrome respiratória aguda grave) no mês de novembro e começo de dezembro.
Já no período entre 11 de dezembro e 7 de janeiro, a prevalência de VSR entre os internados por complicações respiratórias saltou para 12,6%, sendo as principais vítimas pacientes de zero a quatro anos.
O vírus e os cuidados
O VSR é classificado como um pneumovírus, tendo subgrupos A e B. Segundo o Manual Merck de Diagnóstico e Tratamento, ele é “onipresente” e “quase todas as crianças são infectadas aos quatro anos de idade”.
“Como a resposta imunitária ao VSR não protege contra reinfecção, a taxa de ataque é de aproximadamente 40% para todas as pessoas expostas. Contudo, anticorpos contra o VSR diminuem a gravidade da doença. O VSR é a causa mais comum de doença do trato respiratório inferior em crianças pequenas”, acrescenta o manual.
Desta forma, os bebês acabam sendo mais suscetíveis a desenvolver complicações respiratórias por causa do vírus sincicial respiratório justamente pela ausência de anticorpos adquiridos.
“A maior causa de internação é piora do padrão respiratório, com necessidade de suporte de oxigênio. Lactentes com menos de seis meses de idade, principalmente prematuros, crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade e cardiopatas representam os grupos de maior risco para desenvolver infecção respiratória mais grave”, alerta Juliana.
A infecção pelo VSR pode evoluir para quadros de bronquiolite (inflamação das pequenas vias aéreas dos pulmões) ou para pneumonia (infecção dos pulmões).
“Uma a duas em cada 100 crianças com menos de seis meses de idade com infecção por VSR podem precisar ser hospitalizadas. Aqueles que estão hospitalizados podem precisar de oxigênio, intubação e/ou ventilação mecânica [ajuda na respiração]. A maioria melhora com esses tipos de cuidado de suporte e recebe alta em poucos dias”, acrescentam os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.
Em casos que não requerem hospitalização para suplementação de oxigênio, o tratamento é de suporte. Consiste em manter bons níveis de hidratação e medicamentos para febre e dor, quando necessários.
Todavia, pais ou responsáveis devem sempre buscar orientação médica antes de dar qualquer remédio às crianças.
Até o momento, não existe uma vacina disponível contra o VSR. A prevenção se dá da mesma forma de outras doenças transmitidas pelo ar.
No caso de crianças maiores, pode-se adotar o uso de máscaras. Mas nos bebês, o recomendável é que permaneçam longe de pessoas e outras crianças com sintomas gripais.
*com informações R7




















