Hospital do Câncer fecha as portas para atendimento de novos pacientes

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07/01/2015 14h30

Hospital do Câncer fecha as portas para atendimento de novos pacientes

Dourados News

om quase R$ 1 milhão para receber do Hospital Evangélico, a ala de oncologia do Hospital do Câncer de Dourados suspendeu na manhã desta quarta-feira (7), os atendimentos para novos pacientes. A informação foi repassada para o Dourados News por um dos diretores do local, o médico Mario Eduardo Rocha.

A medida – que segue por tempo indeterminado – seria uma ação de emergência tomada pela administração da unidade por conta do atraso em repasse de verbas e consequente falta de dinheiro para abastecer o estoque de medicamentos e outros insumos necessários ao tratamento da doença, que tem alto custo. Nos corredores do centro, apenas os pacientes agendados eram atendidos.

“Temos informações que o Hospital Evangélico recebeu alguns convênios e não nos repassou. Os valores ultrapassam R$ 800 mil. Tivemos que financiar R$ 100 mil para quitar a folha do mês e a nossa farmácia está vazia, por isso paralisamos os novos atendimentos”, contou.

Em posse de uma planilha, Rocha mostrou os valores que estariam retidos pelo Evangélico. Segundo ele, os repasses de três planos de saúde privados chegam a R$ 565.437,42 referentes aos meses de novembro e dezembro.

Já o dinheiro do SUS (Sistema Único de Saúde) que deveria estar na conta da oncologia totaliza R$ 322.432,45.

O Dourados News tentou contato com a assessoria de imprensa do HE, para que ficasse esclarecido se há ou não atraso nos repasses do dinheiro, mas não houve sucesso até a publicação desta matéria.

DINHEIRO PÚBLICO

Em contato com a prefeitura, o Dourados News foi informado que os repasses para o Hospital Evangélico, feitos por meio do FNS (Fundo Nacional de Saúde), estão em dia e que um pequeno atraso ocorreu em dezembro em relação a parte dos recursos destinados ao município.

Ainda conforme a assessoria, em torno de 70% do repasse destinado pelo fundo, é para o HE.

Por fim, a administração municipal informou que se Hospital do Câncer se recusar atender os novos pacientes, buscará medidas legais contra a unidade responsável, no caso o HE, para garantir que todos usufruam do serviço.

NÃO É DE HOJE

O problema apresentado nesta quarta-feira não é de hoje. No ano passado ele se tornou recorrente.

Toda o recurso destinado ao CTCD (Centro de Tratamento do Câncer de Dourados), que é uma empresa terceirizada contratada para administrar o serviço de oncologia, passa pelo HE, que é o hospital credenciado junto ao Ministério da Saúde para atender a demanda de pacientes que precisam do atendimento especializado por meio do SUS.

A situação inclusive chegou ao conhecimento do MPE (Ministério Público Estadual) através de uma denúncia feita pela vereadora Virgínia Magrini (PP) em fevereiro do ano passado em nome da ACCGD (Associação de Combate ao Câncer da Grande Dourados), entidade beneficente que apoia o acolhimento dos pacientes e que inclusive financiou grande parte da estrutura do prédio onde hoje funciona o Hospital do Câncer, ação viabilizada por meio de inúmeras doações recolhidas pela associação.

Desde o ano passado, o Hospital Evangélico passa por uma grave crise financeira. A estimativa, em julho do ano passado é que os valores devidos a fornecedores e tributos trabalhistas chegavam a R$ 40 milhões. Em dezembro, trabalhadores da enfermagem paralisaram as atividades por dois dias por conta do não recebimento de salários e de parte do 13º salário.

Recepção vazia na manhã desta quarta-feira no Hospital do Câncer - Fotos: Adriano Moretto

Local onde são armazenados os medicamentos

Médico oncologista Mário Eduardo Rocha apresenta uma planilha com o valor devido segundo ele, pelo Hospital Evangélico