Tombamento do primeiro ‘prédio’ da Capital é mantido pelo TJ-MS

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  • O TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) manteve decisão que obriga a Prefeitura de Campo Grande a tombar o primeiro prédio de três andares da Capital, o antigo Hotel Americano, que fica na esquina das ruas 14 de Julho e Marechal Cândido Mariano Rondon. Uma ação de tombamento há mais de 12 anos, já dura ou passou outra década de existência do ‘prédio’ em pleno coração do centro da cidade.
  • A prefeitura de Campo Grande tem que tombar hotel como patrimônio histórico. Contudo, um procedimento administrativo da prefeitura de ‘tombo’, já dura mais de uma década, desde 2011. A Justiça deu em novembro de 2022, prazo de seis meses para apresentação do projeto de restauração. A obra deve ser realizada em um ano. Mas, nada avançou porque essa parte do processo ainda está em grau de recurso.
  • A prefeitura havia recorrido da decisão em primeira instância ante o processo na Justiça que foi iniciado em 2017 para impedir descaracterizações. Outro projeto que tramita na Justiça é para que os proprietários sejam obrigados a restaurar o local. Ação movida pelo MP-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) apontou que donos do prédio mexeram na fachada, sem autorização.
  • O processo judicial movido pelo MP teve início em agosto de 2017, e segundo a 26ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e Cultural, o local sofreu intervenções não permitidas com mudança de piso, portas e janelas sem prévia autorização e sem a observância das diretrizes urbanísticas obrigatórias.

Proprietário continua o mesmo

  • A medida, seja provisória ou definitiva, não altera a propriedade do imóvel, mas garante a preservação das características da fachada, O tema, aliás, era de suma importância para o alemão Frederico Urlass, que projetou prédios como o edifício José Abrão e o Colégio Dom Bosco.
  • De acordo com documentos, o filho de Urlass conta que o pai se preocupava em atender as necessidades do contratante, porém, com a seguinte ressalva: “O senhor é proprietário do prédio, mas a fachada pertence à cidade”. Uma das características era o uso da curvatura na esquina, como exemplifica o edifício José Abrão.

História

  • Construído em 1939, o prédio tem 84 anos e funciona ainda hoje como hotel. O edifício foi construído com base no movimento arquitetônico Art Decó, introduzido no Brasil nos primeiros anos do século XX, que teve vigênc
  • ia até 1940.
  • Vermelho cintilante – Foi usado pó de mica no revestimento da fachada. Planejado para ser o primeiro prédio de escritórios de Campo Grande, o imóvel de três pavimentos foi tirado do papel por Manoel Rosa e o engenheiro Joaquim Teodoro de Faria.
  • O dono era José Abrão, comerciante próspero de Campo Grande.
  • O estilo Art Déco, se mostra em características como varandas arredondadas e letras grafadas em platibanda (faixa horizontal que emoldura a parte superior de um edifício).
  • A fachada tem revestimento de pó de pedra. Segundo relatório, a cor vermelho cintilante imprime mais personalidade ao imóvel e o pó de pedra (mica), que no caso veio da região de Porto Murtinho, foi considerado um luxo arquitetônico.