Expectativa é que a Selic tenha elevação de 1 ponto percentual e atinja 14,25% ao ano, o maior patamar em 9 anos
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deve anunciar nesta quarta-feira (20) o quinto aumento consecutivo da taxa básica de juros da economia brasileira desde setembro do ano passado. A previsão é de que a Selic suba 1 ponto percentual, passando dos atuais 13,25% para 14,25% ao ano, conforme sinalizado na última reunião do comitê.
Com isso, a Selic atinge seu maior patamar desde outubro de 2016. Agora, o mercado aguarda o comunicado oficial do Copom para entender até quando o ciclo de alta deve continuar.
Histórico da alta e impacto na economia
O ciclo de aumento da taxa começou em setembro do ano passado. Em novembro, a Selic subiu 0,50 ponto percentual, chegando a 11,25%. No mês seguinte, subiu para 12,25% e, em janeiro deste ano, teve nova elevação de 1 ponto percentual, alcançando os 13,25% ao ano.
O objetivo do Copom ao elevar a Selic é conter a inflação, tornando o crédito mais caro e reduzindo o consumo e a produção. No entanto, juros elevados também dificultam o crescimento econômico.
“A decisão será condizente para a convergência da inflação para a meta e a ancoragem das expectativas. Esperamos novas altas de 0,50 ponto percentual em maio e 0,25 ponto em junho, fechando 2025 com a Selic em 15% ao ano”, afirmou Everton Gonçalves, diretor de economia da ABBC.
Para Arnaldo Lima, economista da Polo Capital, o ciclo de aperto monetário deve ser concluído em junho, com a taxa alcançando 15%. Segundo ele, “apesar do aperto monetário já implementado, o mercado de trabalho continua aquecido, impulsionando o consumo e elevando a pressão sobre os preços, especialmente no setor de serviços”.
Inflação e fatores de risco
O Banco Central tem como meta uma inflação de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Em fevereiro, o índice oficial de inflação (IPCA) foi de 1,31%, o maior para o mês desde 2003, acumulando 5,06% nos últimos 12 meses.
Na ata de sua última reunião, o Copom destacou que o cenário para a inflação segue adverso, influenciado pelo aumento dos preços de alimentos e combustíveis. Contudo, a recente desvalorização do dólar, que fechou a R$ 5,67 na terça-feira (19), trouxe um alívio ao panorama inflacionário.
A equipe da XP projeta que a Selic pode chegar a 15,50% em junho, com novas altas de 1,00, 0,75 e 0,50 ponto percentual nas próximas três reuniões do Copom. No entanto, se a taxa de câmbio se mantiver estável e a economia desacelerar, o ciclo de elevação pode ser encerrado em maio.
O que é a Selic e seu impacto na economia
A taxa básica de juros funciona como um piso para os demais juros do mercado. Ela é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, influenciando o custo do crédito e o consumo.
Quando o Copom aumenta a Selic, busca reduzir a demanda e conter a alta de preços, tornando o crédito mais caro e incentivando a poupança. Por outro lado, a redução da taxa tende a estimular o consumo e a produção ao baratear o acesso ao dinheiro.
A Selic também afeta os empréstimos entre bancos e as aplicações financeiras em títulos públicos federais, influenciando toda a economia. Com a nova alta esperada, o Brasil segue em um dos cenários de juros mais elevados do mundo, o que pode impactar desde o financiamento de empresas até o custo do crédito para consumidores.















