Reinaldo Azambuja deixa PSDB após quase 30 anos e se filia ao PL neste domingo

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(Foto: Chico Ribeiro)

Após quase três décadas no PSDB, o ex-governador Reinaldo Azambuja deixa o partido para ingressar no PL. A cerimônia de filiação ocorre neste domingo (21), às 9h, no Ondara Buffet Palace, em Campo Grande, com a presença do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, do senador Rogério Marinho (PL-RN), do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), além de mais de quatro mil pessoas e lideranças estaduais e municipais.

A ida de Azambuja ao PL faz parte de um plano nacional da legenda e de partidos de direita, que buscam fortalecer sua presença no Congresso Nacional, sobretudo no Senado Federal. Apesar de ainda não ter confirmado oficialmente uma candidatura ao Senado em 2026, Azambuja afirmou que sua prioridade é a reeleição de Eduardo Riedel ao governo de Mato Grosso do Sul e a construção de uma sólida base de apoio para a campanha majoritária estadual.

O ex-governador terá a missão de pacificar o partido em Mato Grosso do Sul e formar uma chapa competitiva para as eleições proporcionais e majoritárias. Ele chega ao PL com o respaldo da cúpula nacional, fundo eleitoral robusto, tempo de TV e rádio, e o apoio de colegas do PSDB que devem migrar com ele para a nova legenda. Na ocasião, 18 prefeitos acompanharão Azambuja, enquanto pelo menos três deputados estaduais devem assinar com o PL na próxima janela partidária.

Segundo Azambuja, as negociações começaram em julho do ano passado, durante encontro em Brasília com o ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador Eduardo Riedel e líderes do PL. “O martelo foi batido em definitivo neste ano, antes da decretação da prisão domiciliar do Bolsonaro”, contou o ex-governador.

Aliança com partidos de centro-direita

No Estado, Azambuja terá o desafio de unir um arco de partidos de centro-direita, como PP, União Brasil, Republicanos, Podemos, PSD e MDB, com objetivo de fortalecer a oposição e eleger representantes tanto para o Senado quanto para a Câmara Legislativa. “Chego ao PL para somar e multiplicar, não para dividir. Queremos dar mais musculatura política, respeitando também as lideranças que já estão no partido”, afirmou.

Reforço de prefeitos e lideranças

A filiação de Azambuja vem acompanhada de 19 prefeitos que deixam o PSDB para seguir com ele, somando um total de 24 gestores municipais na legenda. Entre eles estão Mauro do Atlântico (Aquidauana), Marcos Calderan (Maracaju), Thalles Tomazelli (Itaquiraí), Henrique Ezoe (Rio Negro), Juliano Ferro (Ivinhema), Josmail Rodrigues (Bonito), e outros líderes regionais.

O prefeito Mauro do Atlântico destacou: “Achamos natural o grupo se manter unido na mesma legenda. Temos compromisso com a reeleição do governador, eleger Reinaldo para o Senado e recolocar um representante de Aquidauana na Assembleia Legislativa.”

Trajetória política de Azambuja

Filiado ao PSDB desde 1996, Azambuja iniciou sua carreira política como prefeito de Maracaju, sendo reeleito em 2000. Posteriormente, foi eleito deputado estadual, deputado federal e, em 2014, tornou-se governador de Mato Grosso do Sul, sendo reeleito em 2018. Ao longo da carreira, construiu sólida base eleitoral e experiência em cargos executivos e legislativos.

Rumo ao bolsonarismo

A filiação ao PL, partido do qual Bolsonaro é presidente de honra, implica assumir a postura política alinhada ao ex-presidente, reforçando a força da legenda na corrida presidencial de 2026. Azambuja será acompanhado por lideranças da direita e extrema-direita, como a senadora Tereza Cristina, o deputado estadual Gerson Claro, a prefeita Adriane Lopes, o senador Nelsinho Trad e o deputado estadual Pedrossian Neto.

A filiação marca o fim de uma negociação que ocupou destaque na mídia sul-mato-grossense nos últimos 14 meses e promete reconfigurar o cenário político estadual para as eleições gerais do próximo ano.