Bolsonaro preso: cronologia da semana que mudou a política brasileira

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Bolsonaro na Superintendência da PF (Foto: CNN Brasil)

Entre vigília de familiares e rejeição de recursos, o STF conclui o processo da trama golpista e mantém o ex-presidente na PF

Foram sete dias que condensaram uma crise política, jurídica e institucional sem precedentes na história recente do Brasil. Do amanhecer de sábado (22), quando a Polícia Federal (PF) bateu à porta da casa de Jair Bolsonaro para cumprir a ordem de prisão preventiva, ao desfecho da terça-feira (25), quando o STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou o trânsito em julgado da ação penal da trama golpista, o país assistiu a uma sequência de eventos que marcou definitivamente a biografia do ex-presidente.

Bolsonaro, apontado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) como líder de uma organização criminosa voltada à ruptura da ordem constitucional, recebeu uma pena de 27 anos e 3 meses — sendo 24 anos e 9 meses de reclusão e 2 anos e 6 meses de detenção — em regime fechado. Trata-se do primeiro ex-chefe do Executivo brasileiro condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.


O prenúncio silencioso

A turbulência ganhou contornos mais claros na sexta-feira, 21 de novembro. Naquele dia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou uma vigília em frente ao condomínio onde vive o pai, em Brasília. A justificativa oficial era uma oração pela saúde do ex-presidente.

Nos bastidores, porém, a PF alertava o STF para o risco de fuga e solicitava a prisão preventiva. O ministro Alexandre de Moraes pediu parecer da PGR ainda naquela noite.


A madrugada decisiva

A partir da madrugada do sábado (22), os fatos se aceleraram:

  • A tornozeleira eletrônica de Bolsonaro disparou, indicando possível tentativa de violação;
  • Moraes foi comunicado imediatamente;
  • A PF entrou em contato com o ex-presidente;
  • A PGR não se opôs ao pedido;
  • Moraes autorizou a prisão.

Às 6h00, viaturas da PF chegaram ao condomínio. Trinta e cinco minutos depois, Bolsonaro era conduzido à Superintendência da Polícia Federal, onde permanece até hoje.


O episódio da “paranoia”

Bolsonaro já estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, por descumprimento de medidas cautelares. No domingo (23), participou da audiência de custódia. Na ocasião, relatou ao juiz ter tentado abrir a tornozeleira com um ferro de solda por acreditar que o equipamento continha uma escuta secreta — episódio que atribuiu a um momento de “paranoia”.

O boletim médico divulgado no mesmo dia mencionava confusão mental e possíveis alucinações associadas ao uso combinado de três medicamentos: pregabalina, clorpromazina e gabapentina.


STF encerra a ação penal

Na terça-feira (25), o julgamento chegou ao fim. Moraes rejeitou os últimos recursos apresentados pela defesa, classificando-os como protelatórios. Todos os ministros da Primeira Turma — Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin — acompanharam o entendimento.

Com o trânsito em julgado, Bolsonaro deixou de ser réu recorrente e passou à condição de condenado. Ficou determinado que ele permaneceria na PF, em uma sala de Estado-Maior equipada com mesa, cama, ar-condicionado e banheiro privativo.


Visitas e rotina na PF

As visitas começaram ainda no domingo, quando Michelle Bolsonaro permaneceu duas horas com o marido.

Ao longo da semana, os filhos Flávio, Carlos e Jair Renan foram à Superintendência. Flávio entregou ao pai o livro “Metanoia – A Chave Está em Sua Mente”, do pastor JB Carvalho. Na quinta-feira (27), Renan relatou uma piora na crise de soluços do ex-presidente, motivo pelo qual médicos foram acionados.

Michelle também retornou à PF no mesmo dia.


Nova tentativa de reverter a condenação

Mesmo com a decisão finalizada, a defesa apresentou nesta sexta-feira (28) um novo pedido tentando reverter a condenação. Os advogados argumentam que o voto do ministro Luiz Fux — único a absolver Bolsonaro — deveria prevalecer.

No recurso, pedem que o caso seja submetido ao Plenário do STF para que a Corte reavalie a ação penal desde o início.


Um capítulo definitivo na crise política brasileira

A prisão de Jair Bolsonaro e o encerramento do processo que o condenou por tentativa de golpe representam um momento histórico para a democracia brasileira. Em apenas uma semana, o país presenciou desde o alerta de fuga até a consumação de uma das decisões judiciais mais relevantes das últimas décadas.

Agora, Bolsonaro cumpre pena enquanto sua defesa tenta abrir novas brechas jurídicas — e o país acompanha mais um capítulo de uma crise que, ao contrário do processo, está longe de terminar.