Manifestação por CPI da Saúde vira tumulto e organizador é preso pela Guarda Municipal

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(Foto: Reprodução/Top Midia News)

Grupo protestava contra falta de medicamentos, obras paradas e buracos, quando ação da Guarda Civil gerou revolta

Um protesto realizado na tarde deste sábado (29) no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho, em Campo Grande, terminou em confusão, prisões e denúncias de abuso por parte de agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM). O ato, que reuniu cerca de 30 manifestantes, criticava a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) e cobrava melhorias na saúde, infraestrutura e conclusão de obras paradas na cidade.

Com faixas, cartazes e até um boneco com nariz de palhaço, os participantes denunciaram a precariedade no sistema municipal de saúde — incluindo falta de medicamentos e dificuldade de acesso a fraldas, dietas e remédios para crianças com necessidades especiais — além dos constantes buracos nas vias, que colocam motoristas e pedestres em risco.

Entre os relatos, o motoboy Fagner de Barros, de 36 anos, contou que sua mãe fraturou o pulso após cair de moto por causa de um buraco na cidade. “Nunca vi um prefeito deixar a cidade tão abandonada, principalmente na questão dos buracos”, desabafou.

Outra manifestante, Elisângela Silva de Souza, mãe de uma criança com necessidades especiais, afirmou que há mais de dois anos luta para garantir fraldas, medicamentos e dietas para o filho, sem sucesso. “Fizemos de tudo, mas o atendimento é precário”, criticou.

O ato, inicialmente pacífico, contou com apoio de motoristas que passavam pelo local e buzinaram em solidariedade. A GCM acompanhou a movimentação, mas sem registros de confusão até o início da noite.

Prisão de organizador e motoboy gera revolta

Por volta das 19h, o professor Washington Pagane, um dos organizadores do protesto, foi detido por agentes da GCM e do Gemop (Grupo Especializado de Motopatrulhamento), também, da GCM.

Testemunhas relatam que a prisão ocorreu após um desentendimento entre o grupo e a equipe de segurança da prefeita. Um guarda teria partido para cima de uma manifestante, mãe atípica, que caiu violentamente no asfalto ao tentar se desvencilhar. A atitude gerou revolta entre os presentes e iniciou a confusão.

Na sequência, o Comando da GCM teria ordenado a prisão de Washington após uma discussão próxima ao alambrado montado para o protesto. Fagner, que filmava a abordagem, também foi detido. Ambos foram levados algemados para Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac).

A detenção dos dois manifestantes provocou nova mobilização. Parte do grupo se dirigiu à Depac, onde os detidos eram ouvidos pela Polícia Civil, denunciando abuso de poder por parte dos agentes municipais.

Reivindicações seguem sem resposta

O principal objetivo da manifestação era pressionar a prefeitura pela abertura de uma CPI da Saúde, para investigar suposta precariedade no atendimento municipal, além de cobrar soluções para obras inacabadas e para os buracos pelas ruas da Capital.

Apesar da repercussão, as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre as circunstâncias das prisões, e a Prefeitura de Campo Grande não se manifestou até o fechamento deste texto.

O caso permanece sob investigação, e novas informações devem ser divulgadas nas próximas horas. A prefeitura ainda não se manifestou sobre o ocorrido.

*com informações do site Top Midia News