Escolas da rede estadual de Campo Grande notificaram ameaças de atentado

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Ameaças foram realizada por meio de mensagens no Whatsapp e alteração dos nomes de redes Wi-Fi

07/05/2019 14h31
Por: Redação

Escolas da Rede Estadual de Ensino de Campo Grande (MS) receberam ameaças de atentado por meio de mensagens de WhatsApp e nome de redes Wi-Fi. A maioria das ameaças aconteceram por meio de nomes de redes de internet móvel, que traziam as palavras “MASSACRE”, seguida da inicial ou nome da escola e horário. O primeiro caso foi notificado no dia 20 de março e o último no dia 10 de abril deste ano, por meio de Boletim de Ocorrência realizado pelos diretores.

De acordo com o artigo 147 do Código Penal Brasileiro, essas ameaças são consideradas crime. A advogada especialista em direito penal e processo penal, Janaína Pouso, esclarece que nesses casos o menor infrator pode responder por outros atos infracionais além da ameaça. “Essa pessoa vai ser encaminhada à Delegacia da Criança e Adolescente, lá vai ser aberto um inquérito para apurar esses fatos, para saber qual crime ela cometeu. Se é uma ameaça, um ato infracional de ameaça, artigo 147 do Código Penal, ou outra tipificação criminal. Porque depende muito, são vários tipos específicos, dependendo do que ela fez. Incitação ao crime, ameaças, são vários crimes que ela pode responder dependendo do caso em concreto”.

A psicanalista Katiuscia Kintschev explica que é necessário conversar sobre os assuntos para que a reflexão seja promovida nas escolas e na sociedade. “Nós temos que ter cuidado ao falar sobre suicídio e também sobre o que envolve esses casos, como o de Columbine nos EUA ou Suzano (SP), porque podem dar ideias, mas temos que falar sem o tabu ‘não vamos falar sobre tal coisa porque vai aparecer na nossa frente’. Pois, aquilo que não falamos nós imaginamos e coisas imaginadas não tem limite. Ao falar sobre um assunto colocamos bordas, como o muro em volta de em um poço. Isso não significa que ninguém vá cair, mas é um aviso. Falar de violência, traumas, mazelas sociais não diz que o problema acabou, mas possibilita que a população pense sobre o que está acontecendo e saiba do que se trata”.

O Colégio Adventista Jardim dos Estados (Caje) de Campo Grande, com apoio do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS), realizou um treinamento de evacuação ao simular uma situação de atentado dentro da escola. O diretor do Colégio, Lucas Bittencourt explica que o treinamento antiterrorismo serviu para complementar o projeto de segurança da escola e auxiliar no combate à violência. “Essa concentração faz parte do cronograma e agenda da escola, prezando pela segurança dos alunos e funcionários, ou seja, da comunidade local escolar. A principal motivação surgiu ao identificarmos o contexto no qual vivemos hoje, em relação ao mundo, com isso veio a busca pela conscientização de quem o ser humano é e do que ele pode fazer a partir disso”.

O treinamento realizado no Colégio foi dividido em etapas, as primeiras foram de preparação de evacuação com os funcionários e depois com os alunos. Na terceira etapa, a escola recebeu um plano de evacuação de emergência e o quarto passo consiste no teste do tempo-resposta de chegada das forças de segurança como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Batalhão de Operações Especiais ao local.

Segundo o Coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar, Sidnei Ribeiro da Cruz que realizou o treinamento no Colégio a tática é o “Ride, Run or Fight” (Esconder, Correr ou Lutar), um protocolo dos Estados Unidos de enfrentamento de atirador ativo. Esse treinamento prevê situações de crise, em que muitas vítimas são geradas pelo pânico, seja em incêndios ou ataques terroristas. “Essa é uma prática muito comum em países como Estados Unidos e Japão, nós ainda estamos engatinhando nesse sentido. Nós nunca sabemos quando um aluno vai querer entrar na escola e se tornar um atirador ativo”.

Lyanny Ferreira