
Documento da PMDF registra atendimentos médicos, visitas de familiares, caminhadas e assistência religiosa entre 15 e 27 de janeiro de 2026
Um relatório que mistura rotina, controle e registros técnicos foi enviado ao Supremo Tribunal Federal para detalhar como transcorreram os dias do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a custódia na Penitenciária da Papudinha, em Brasília. O documento, produzido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), descreve atendimentos médicos, visitas, atividades físicas e assistências recebidas entre 15 e 27 de janeiro de 2026, período em que Bolsonaro esteve sob responsabilidade da corporação.
O relatório foi encaminhado ao STF em cumprimento a despacho do ministro Alexandre de Moraes e reúne anotações diárias feitas pela equipe responsável pela custódia do ex-presidente no 19º Batalhão da PM.
Segundo a PMDF, Bolsonaro recebeu acompanhamento médico frequente ao longo de todo o período, com atendimentos realizados principalmente por profissionais da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), além de médicos particulares. As avaliações tiveram caráter clínico e preventivo, com monitoramento de sinais vitais e do estado geral de saúde. A partir do dia 17 de janeiro, também passaram a ser registradas sessões de fisioterapia, realizadas de forma quase diária.
O documento aponta ainda que o ex-presidente manteve uma rotina de atividades físicas leves, sobretudo caminhadas em horários previamente definidos e controlados pela unidade. Não houve registro de participação em atividades laborais internas nem de adesão a programas de remição de pena por leitura durante o período analisado.
As visitas ocorreram de forma pontual e dentro das normas do sistema prisional. Bolsonaro recebeu a esposa, Michelle Bolsonaro, em mais de uma ocasião, além do filho Carlos Bolsonaro. O relatório discrimina datas, horários e tempo de permanência dos visitantes. Também há registros frequentes de encontros com advogados, com identificação dos profissionais e duração dos atendimentos.
Em alguns dias, segundo a PMDF, Bolsonaro contou com atendimento de capelania, serviço de assistência religiosa oferecido no sistema prisional. O relatório não detalha o conteúdo das atividades religiosas realizadas.
O documento informa ainda que, em 20 de janeiro, foi realizada uma perícia médica da Polícia Federal nas dependências da unidade onde o ex-presidente estava custodiado. A avaliação havia sido previamente determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, mas o relatório não especifica o conteúdo nem as conclusões do procedimento.
Ao final, a Polícia Militar ressalta que todas as informações prestadas são baseadas em registros administrativos e operacionais da unidade responsável pela custódia, elaborados em estrita observância às determinações do Supremo Tribunal Federal.
Antes da transferência para a custódia da PMDF, Jair Bolsonaro estava preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão. A condenação foi imposta pela Primeira Turma do STF, que considerou o ex-presidente culpado por liderar uma trama para tentar abolir violentamente o Estado Democrático de Direito e promover um golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022, além de crimes como organização criminosa armada, dano qualificado por violência e ameaça grave e deterioração de patrimônio histórico tombado.


















