Correios reabrem inscrições para plano de demissão voluntária

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Programa integra plano de reestruturação e terá impacto pleno a partir de 2028 (Foto: Fernando Frazão - AB)

PDV fica aberto até 31 de março e pode atingir até 15 mil empregados

Depois de um ano marcado por prejuízos bilionários e alerta máximo sobre a sustentabilidade da estatal, os Correios voltam a apostar na redução de custos com pessoal. A empresa reabre, a partir desta semana, as inscrições para o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), que ficará disponível até 31 de março, com desligamentos previstos para serem concluídos até o fim de maio.

A participação no programa é individual e facultativa. Segundo a estatal, a expectativa é que o PDV tenha potencial de adesão de até 15 mil empregados entre 2026 e 2027. A economia anual estimada com a redução da folha de pagamento é de R$ 2,1 bilhões, com impacto financeiro pleno a partir de 2028.

Atualmente, os Correios contam com mais de 82 mil empregados próprios e cerca de 10 mil trabalhadores terceirizados em todo o país.

O PDV 2026 integra a Fase 1 do Plano de Reestruturação econômico-financeiro da empresa, que cobre o período de 2025 a 2027. O objetivo central é reduzir despesas, reequilibrar as contas e preservar a capacidade operacional da estatal, considerada estratégica para a prestação de serviços postais em todo o território nacional.

No plano anterior, realizado em 2025, cerca de 3.500 empregados aderiram ao desligamento voluntário.

Mudanças nas regras

Em comunicado interno enviado aos empregados, os Correios informaram que o novo PDV mantém o incentivo financeiro adotado no programa de 2025, mas traz alterações nas regras de elegibilidade.

Uma das principais mudanças é o fim da restrição de idade máxima. Antes limitado a empregados com 55 anos ou mais, o plano agora permite a adesão de qualquer trabalhador com pelo menos dez anos de vínculo com a empresa.

Além disso, o empregado precisa ter recebido remuneração por, no mínimo, 36 meses nos últimos 60 meses. Não podem aderir aqueles que tenham completado 75 anos até a data prevista para o desligamento.

Outra novidade é a possibilidade de manutenção de plano de saúde. Empregados desligados e seus dependentes poderão optar pelo Plano de Saúde Família, com mensalidades mais acessíveis e cobertura regional.

Reestruturação e ajuste de contas

A direção dos Correios afirma que o plano de desligamento faz parte de um esforço mais amplo para reequilibrar a saúde financeira da empresa. Em dezembro, a estatal anunciou a captação de R$ 12 bilhões em crédito junto a cinco bancos para financiar ações emergenciais do plano de reestruturação.

A projeção é de redução de aproximadamente R$ 5 bilhões em despesas até 2028.

O plano também prevê o fechamento de cerca de mil agências consideradas deficitárias. Atualmente, a infraestrutura dos Correios inclui mais de 10,3 mil unidades de atendimento em todo o país, entre agências próprias e pontos parceiros, além de cerca de 1,1 mil centros de distribuição e tratamento de encomendas.

Também está prevista a venda de imóveis ociosos, como forma de gerar recursos adicionais e reduzir gastos com manutenção.

Crise financeira

O diagnóstico interno da estatal aponta um déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025. Os dados consolidados de todo o ano ainda não foram divulgados.

Com um prejuízo próximo de R$ 6 bilhões no ano, os Correios colocaram em prática um plano de reestruturação que combina corte de custos, revisão da rede de atendimento e reorganização administrativa, com foco na recuperação financeira da empresa.