PF pede suspeição de Toffoli em processos do Banco Master

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(Foto: Rosinei Coutinho / STF)

Solicitação foi enviada ao presidente do STF após análise de celular do banqueiro Daniel Vorcaro, com menções ao ministro relator do caso

A investigação sobre o Banco Master ganhou um novo capítulo nesta semana — e agora envolve diretamente um ministro do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal solicitou ao STF que o ministro Dias Toffoli seja declarado suspeito para atuar em processos relacionados ao Banco Master. O pedido foi encaminhado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, após a análise do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.

De acordo com fontes ligadas à apuração, o material extraído do aparelho reúne mensagens, áudios, fotografias e registros de aplicativos, incluindo diálogos com autoridades. Entre os arquivos identificados, haveria documentos e conversas com menções ao nome de Toffoli e de outros ministros do Supremo.

Como relator das investigações envolvendo o Banco Master, Toffoli seria, em regra, o destinatário das novas informações. No entanto, diante das citações ao seu nome, a Polícia Federal decidiu encaminhar o relatório diretamente a Fachin, que é o responsável por despachar pedidos de suspeição contra ministros da Corte.

O material foi entregue na segunda-feira (9). Após receber o relatório e o pedido formal da PF, Fachin determinou que Dias Toffoli se manifeste sobre o teor das informações antes de qualquer deliberação.

Em nota divulgada na noite desta quarta-feira (11), o gabinete de Toffoli afirmou que o pedido da Polícia Federal “trata de ilações”. O ministro também sustentou que a PF não tem legitimidade para apresentar a solicitação.

“Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145 do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte”, informou o gabinete.

Pelas regras do STF, a chamada “arguição de suspeição” é analisada a partir de manifestação do ministro citado, antes de eventual decisão. Caberá ao Supremo avaliar os argumentos apresentados pela Polícia Federal e a resposta de Toffoli.

O caso ocorre em meio a desdobramentos das investigações sobre o Banco Master. Senadores que acompanham o tema também formalizaram pedidos para ter acesso a documentos sigilosos relacionados à apuração.

A análise do pedido de suspeição ainda não tem data definida para julgamento.