Eclipse lunar ocorre na terça-feira, mas Brasil não verá a ‘Lua de sangue’ completa

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(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Fenômeno poderá ser observado apenas parcialmente no país devido à posição da Lua no horizonte

Um eclipse lunar volta a chamar a atenção de observadores do céu na próxima terça-feira (3), mas quem estiver no Brasil precisará de expectativa moderada: o fenômeno acontecerá, porém o país não estará na posição ideal para acompanhar o momento mais aguardado — a chamada “Lua de sangue”.

O eclipse ocorre quando Sol, Terra e Lua se alinham perfeitamente no espaço. Nesse cenário, a Terra fica entre os dois astros e projeta sua sombra sobre o satélite natural.

“A Terra se coloca entre o Sol e a Lua. Então a Lua fica atrás da sombra que a Terra projeta. É um alinhamento desses três corpos”, explica o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Durante um eclipse parcial, a sombra terrestre avança gradualmente sobre o disco lunar, criando o efeito visual semelhante a uma “mordida” escurecendo a Lua cheia. Já no eclipse total acontece o fenômeno mais esperado pelo público.

“Quando ela está perfeitamente alinhada, a luz do Sol não consegue mais chegar diretamente à superfície da Lua. Mas atravessa a atmosfera da Terra antes de chegar lá. Só a parte vermelha da luz consegue passar, enquanto a azul é espalhada. Por isso a Lua fica avermelhada, como no pôr do sol”, afirma o astrônomo.

O apelido “Lua de sangue” não é um termo científico, mas uma expressão popular usada para descrever justamente essa coloração avermelhada provocada pela filtragem da luz solar na atmosfera terrestre.

Visibilidade limitada no Brasil

Apesar do interesse gerado pelo fenômeno, a maior parte do território brasileiro verá apenas o início do eclipse.

“Infelizmente, na maior parte do Brasil a gente só vai ver o eclipse penumbral, que é um leve escurecimento da Lua cheia e que é um efeito difícil de perceber”, explica Thiago.

Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorrerá por volta das 6h, quando a Lua já estará muito baixa no horizonte oeste e próxima do nascer do Sol, o que dificulta ainda mais a observação.

A situação melhora um pouco na região Norte. Em estados como Acre, Rondônia e no oeste do Amazonas, será possível observar parte do eclipse parcial.

“No Acre, por volta das 5h da manhã, já começa a ser possível perceber a sombra avançando. O máximo do encobrimento ocorre perto das 5h45, quando quase toda a Lua estará coberta”, detalha o astrônomo.

Ainda assim, os melhores pontos de observação estarão no Oceano Pacífico, especialmente em regiões como a Nova Zelândia e ilhas como Fiji, onde a totalidade poderá ser vista por completo.

Etapas do eclipse

A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, explica que todo eclipse total da Lua acontece em cinco fases sucessivas: penumbral, parcial, total, parcial novamente e penumbral final.

“O eclipse penumbral ocorre quando a Lua entra na sombra mais clara da Terra. Nessa fase quase não percebemos diferença no brilho. Depois começa o eclipse parcial, quando vemos a Lua ficando cada vez mais escura, em formato de mordidinha”, explica.

O eclipse total acontece quando a Lua fica totalmente imersa na umbra, a parte mais escura da sombra terrestre. No entanto, essa etapa não poderá ser vista do Brasil.

“Quando a Lua estiver totalmente eclipsada, ela já estará abaixo do horizonte para nós. O Brasil não vai ver o eclipse total”, afirma Josina.

Cronograma do eclipse (horário de Brasília)

  • 5h44 — início do eclipse penumbral
  • 6h50 — início do eclipse parcial
  • 8h04 às 9h02 — fase total (não visível no Brasil)

Quanto mais a oeste estiver o observador, maior será a área encoberta da Lua. No extremo oeste do país, o obscurecimento poderá chegar a 96%, muito próximo da totalidade, mas ainda classificado como eclipse parcial.

Próximos eclipses visíveis no país

Segundo a astrônoma, eclipses lunares são relativamente comuns no Brasil, mas um espetáculo completo ainda vai demorar.

“Somente na noite de 25 para 26 de junho de 2029 o Brasil terá um eclipse total da Lua com todas as fases visíveis em todo o país”, destaca Josina.

Antes disso, ainda em 2026, haverá um eclipse parcial quase total — com 93% de magnitude — visível em todo o território nacional entre a noite de 27 e a madrugada de 28 de agosto.

Já em 2027, os três eclipses previstos serão apenas penumbrais. Em 2028 ocorrerão eclipses parciais, mas nenhum eclipse total poderá ser observado do Brasil.