Do gado à integração lavoura-pecuária: agro de MS cresce e vira destaque nacional

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Pecuária de Mato Grosso do Sul é destaque nacional (Foto: Bruno Rezende)

Programas de incentivo e inovação ajudam Estado a alcançar maior expansão do país em 2025

O avanço do agronegócio tem redesenhado o mapa econômico de Mato Grosso do Sul, que encerrou 2025 com o maior crescimento do setor entre todos os estados brasileiros, impulsionado pela combinação entre tecnologia no campo, gestão profissional e políticas públicas voltadas à produção rural.

Considerado uma das principais potências agropecuárias do país, o Estado registrou aumento de 18,6% no PIB (Produto Interno Bruto) do agro em 2025, segundo dados da Resenha Regional do Banco do Brasil atualizada em fevereiro deste ano. O índice colocou Mato Grosso do Sul à frente de Mato Grosso (18,5%) e Goiás (13,4%), consolidando o cenário de expansão do setor.

Esse desempenho é atribuído tanto à adoção de inovação pelos produtores quanto às políticas estaduais de incentivo ao homem do campo, que vêm estimulando a diversificação produtiva e o aumento da competitividade.

Tradição e inovação no campo

Um dos exemplos dessa transformação está na Fazenda Cachoeirão, localizada na região de Bandeirantes, próxima à MS-245. A propriedade iniciou suas atividades em 1952, quando a pecuária era praticamente a única alternativa econômica no Cerrado sul-mato-grossense.

Segundo o produtor Nedson Rodrigues, um dos proprietários, a evolução da produção acompanhou o avanço tecnológico no campo. Ele relembra que, no início, sequer existiam pastagens formadas com braquiária — tecnologia introduzida apenas na década de 1970 pela Embrapa, considerada um marco para o aumento da produtividade pecuária.

A partir de 1991, Rodrigues e o irmão assumiram a administração da fazenda e passaram a intensificar a produção. A principal mudança ocorreu em 2005, quando decidiram investir também na agricultura, mesmo em solo arenoso e considerado de baixa fertilidade.

“Encaramos o desafio e iniciamos a integração entre agricultura e pecuária. Com tecnologia, vimos que era possível produzir grãos mesmo em terras mais fracas. Fomos pioneiros na região”, afirmou.

Hoje, a propriedade mantém sistema integrado de produção, com pecuária intensiva em pastagens de alta qualidade e cultivo de soja, milho e feijão, além da implantação de irrigação para ampliar a produtividade.

Na pecuária, a fazenda trabalha com ciclo completo — cria, recria e engorda — incluindo cruzamento industrial e melhoramento genético. Os animais são abatidos precocemente, com cerca de 14 meses e peso superior a 20 arrobas. O manejo inclui rotatividade de pastagens para garantir melhor alimentação do rebanho.

A fazenda possui área de 7,5 mil hectares, dos quais 22% são destinados à reserva legal. Ao todo, 37 funcionários trabalham diretamente na propriedade, além de profissionais terceirizados.

Rodrigues destaca que a profissionalização da gestão e o planejamento da sucessão familiar são fundamentais para a continuidade do negócio. Filhos e sobrinhos já participam da administração, garantindo a manutenção do legado construído ao longo das décadas.

Diversificação fortalece o agro

Para o produtor, o crescimento do agronegócio sul-mato-grossense está ligado à diversificação produtiva e ao fortalecimento das cadeias econômicas.

“O Estado não depende apenas de dois produtos. Temos soja, milho, amendoim, laranja, o Vale da Celulose e a produção de carne. Somos referência em genética e qualidade da carne”, avaliou.

Ele acredita que o futuro do setor seguirá baseado em profissionalização, tecnologia e capacitação das novas gerações. “O lema continua sendo trabalho e dedicação, sempre olhando para o futuro”, afirmou.

Programas impulsionam crescimento

O desempenho do agro também é resultado de programas estaduais voltados ao incentivo da produção rural. Entre as iniciativas estão o Proape (Programa de Apoio à Produção Agropecuária), o Precoce MS, que incentiva a produção de bovinos de corte de alta qualidade, além dos programas Leitão Vida, voltado à suinocultura, e Peixe Vida, destinado ao fortalecimento da piscicultura.

Outro destaque é o programa Carne Sustentável, que incentiva a produção bovina sustentável e orgânica no Pantanal, além do Prosolo, plano estadual de manejo e conservação do solo e da água.

As ações são coordenadas pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) e integram a estratégia estadual de desenvolvimento sustentável do campo.

Com investimento contínuo, inovação tecnológica e gestão cada vez mais profissional, Mato Grosso do Sul consolida sua posição como referência nacional no agronegócio e projeta novos ciclos de crescimento para os próximos anos.