Arte, identidade e pertencimento marcam oficinas do projeto Reafirmando Territórios na Comunidade Quilombola Chácara Buriti

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Foto: Cecilia Hanna

Neste sábado (14), a Comunidade Quilombola Chácara Buriti recebe um encontro especial entre arte, juventude e ancestralidade. O projeto “Reafirmando Territórios”, realizado pelo Coletivo Enegrecer, promove oficinas gratuitas de pintura e colagem voltadas para adolescentes da comunidade, propondo um espaço de criação, escuta e fortalecimento da identidade negra por meio da arte.

Idealizado pela artista Erika Pedraza, o projeto nasceu do desejo antigo do coletivo de se aproximar das comunidades quilombolas de Mato Grosso do Sul e estabelecer trocas culturais a partir da produção artística. “A ideia já tinha surgido há alguns anos, quando nós do Coletivo Enegrecer entendemos que queríamos nos aproximar das comunidades quilombolas do estado. Queríamos oferecer nossa arte através de oficinas e promover esse contato com a nossa ancestralidade regional e a troca de saberes”, explica.

Durante o encontro, os jovens participarão de duas oficinas: pintura, ministrada pela artista Thalita Valiente, e colagem manual, conduzida por Yasmin Alexandra. As atividades fazem parte de uma proposta maior do projeto, que busca trabalhar temas como autoestima, identidade e pertencimento durante um período importante da formação dos adolescentes.

“A pré-adolescência e a adolescência são fases essenciais na construção da identidade. Trabalhar autoestima e empoderamento afro nesse momento contribui muito para a formação desses jovens. A arte pode ser também uma ferramenta terapêutica e de fortalecimento emocional”, afirma Erika.

Mais do que ensinar técnicas artísticas, as oficinas propõem um mergulho no cotidiano e nas memórias dos participantes. Na oficina de pintura, a artista visual Thalita Valiente convida os jovens a olharem para o próprio território como fonte de inspiração. “A proposta é que eles percebam que aquilo que faz parte da vida deles também pode virar arte. Pode ser um objeto simples, um lugar da comunidade, um momento vivido com a família ou até um sentimento. Muitas vezes algo que parece pequeno carrega um significado enorme”, explica a artista.

Arte, identidade e pertencimento marcam oficinas do projeto Reafirmando Territórios na Comunidade Quilombola Chácara Buriti
Foto: Cecilia Hanna

Para ela, quando os jovens transformam essas experiências em imagens, também registram suas histórias e fortalecem o sentimento de pertencimento. “A pintura permite transformar memórias e afetos em imagem. Muitas vezes aquilo que é difícil de colocar em palavras aparece de forma muito forte na arte. Isso ajuda a reconhecer a riqueza das próprias histórias e do lugar onde vivem”, completa.

Já a oficina de colagem, conduzida por Yasmin Alexandra, apresenta aos participantes um universo criativo que nasce a partir de materiais simples e acessíveis. Inspirada na obra da artista brasileira Rosana Paulino, Yasmin pretende mostrar que a arte pode surgir a partir de elementos presentes no cotidiano.

“O que mais me atrai na colagem são as possibilidades infinitas de criação a partir de coisas que já existem no mundo. Revistas, livros, papéis, objetos simples… tudo pode ganhar novos sentidos”, conta.

Segundo ela, a ideia é ampliar a percepção dos jovens sobre o fazer artístico. “Quero mostrar que para criar arte não é preciso ter materiais raros ou caros. Muitas vezes algo que já está em casa pode ser o ponto de partida para uma criação. A colagem abre esse espaço para experimentar, brincar com as imagens e transformar o que já existe em algo novo”.

Além das oficinas, o encontro também contará com rodas de conversa entre os artistas e os jovens da comunidade, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências. Para Erika Pedraza, esses momentos são fundamentais para que a arte se torne também um espaço de escuta e reconhecimento cultural.

Arte, identidade e pertencimento marcam oficinas do projeto Reafirmando Territórios na Comunidade Quilombola Chácara Buriti
Foto: Cecilia Hanna

“A arte é expressão. Quando um aluno faz um autorretrato, por exemplo, ele mostra como se enxerga. E quando ele gosta do resultado, automaticamente está dizendo que gosta de si mesmo. Levar arte ao quilombo é também reconhecer que eles são importantes e merecem que esses eventos aconteçam dentro da própria comunidade”, destaca.

As oficinas integram as ações do projeto “Reafirmando Territórios”, que ao longo de suas atividades busca estimular a imaginação, a autoestima e a valorização das histórias e memórias presentes na Comunidade Quilombola Chácara Buriti. Ao final do processo, as obras produzidas pelos participantes também farão parte de uma exposição coletiva junto com trabalhos dos artistas do Coletivo Enegrecer, celebrando a arte como território de encontro, identidade e resistência.

Este projeto conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do MinC (Ministério da Cultura), executado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundac (Fundação Municipal de Cultura).