Capital tem mais de 1,3 mil pacientes aguardando pela avaliação urodinâmica; tempo de espera é de quase 3 anos

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Foto: MPMS

Essencial para o diagnóstico de disfunções urinárias, a avaliação urodinâmica registra uma fila de espera gigantesca na Rede Pública de Saúde de Campo Grande. Levantamento realizado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelou que, atualmente, são 1.393 pacientes aguardando pela vaga, cujo tempo de espera pode ultrapassar os 35 meses, ou seja, quase três anos, situação que compromete os tratamentos e pode agravar os quadros clínicos.

A avaliação urodinâmica é um exame especializado que analisa o funcionamento da bexiga e do trato urinário inferior, sendo fundamental para identificar incontinência, obstruções, alterações neurológicas e outras condições que exigem intervenção precoce. Apesar da relevância clínica, relatórios enviados ao MPMS mostram que, nos últimos seis meses, foram realizados exames em número muito inferior ao necessário para absorver a demanda reprimida.

Por conta deste cenário preocupante, a 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública de Campo Grande abriu um inquérito civil para apurar e cobrar dos órgãos responsáveis a solução do problema. Conforme o órgão, são quatro hospitais habilitados para o exame (Santa Casa, Humap/UFMS/EBSERH, Hospital do Câncer Alfredo Abrão e Hospital São Julião), mas as metas contratualizadas não estabelecem quantitativos específicos para a urodinâmica, o que reduz a capacidade destinada ao procedimento.

A Promotoria de Justiça também apontou diferenças entre a produção prevista nos contratos e a produção efetivamente realizada, além da falta de informações precisas sobre o fluxo regulatório e os critérios utilizados para priorizar os pacientes. Foi requisitado à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) dados atualizados da fila, tempo médio de espera, cumprimento das metas contratualizadas e justificativas técnicas para ampliação da oferta.

Também solicitou manifestação da Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre a organização regional do serviço e eventual pactuação na Comissão Intergestores Bipartite (CIB/MS). Como parte do inquérito, os hospitais contratualizados serão ouvidos para detalhar sua capacidade real de atendimento, produção mensal e limitações estruturais. O MPMS alertou ainda que o atraso de exames diagnósticos viola o direito constitucional à saúde, podendo gerar danos irreversíveis.