Ligue 180 passa a usar cartilha para identificar vítimas de tráfico de pessoas e trabalho escravo

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Equipes do Ligue 180 recebem cartilha para apoiar a identificação de tráfico de pessoas durante o atendimento e o encaminhamento de denúncias. (Foto: Vitor Vasconcelos)

Material orienta atendentes a reconhecer sinais de exploração e melhorar encaminhamento das denúncias

Uma nova ferramenta passa a reforçar o atendimento às mulheres que buscam ajuda pelo Ligue 180. O canal nacional de denúncia e orientação agora conta com uma cartilha voltada à identificação de possíveis vítimas de tráfico de pessoas e trabalho escravo, ampliando a capacidade das equipes de reconhecer situações de exploração e garantir o encaminhamento adequado das denúncias.

Lançado neste mês de março, o material foi desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em parceria com o Ministério das Mulheres, o Ministério das Relações Exteriores e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). A iniciativa tem como objetivo qualificar o atendimento prestado pela Central de Atendimento à Mulher, fortalecendo o combate a violações graves de direitos humanos.

Intitulada “Cartilha sobre tráfico de pessoas e trabalho escravo para atendentes do Ligue 180”, a publicação reúne conceitos, indicadores e orientações práticas que auxiliam na identificação desses crimes, além de direcionar corretamente o encaminhamento das ocorrências aos órgãos responsáveis.

O documento também orienta as equipes a considerar características regionais, como rotas migratórias, contextos locais e diferentes situações de vulnerabilidade social, fatores que influenciam a forma como esses crimes se manifestam em diferentes regiões do país.

Segundo a coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, a iniciativa reforça o compromisso do governo federal no enfrentamento às múltiplas formas de violência que atingem mulheres e meninas.

De acordo com ela, o tráfico de pessoas e o trabalho escravo costumam ocorrer de maneira silenciosa, o que exige preparo técnico das atendentes para reconhecer sinais indiretos durante os atendimentos. A coordenadora destaca ainda que o serviço recebe diariamente pedidos de ajuda tanto de mulheres estrangeiras no Brasil quanto de brasileiras que vivem no exterior.

A coordenadora-geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes da Secretaria Nacional de Justiça, Marina Bernardes, explica que muitas vítimas têm dificuldade em relatar diretamente a situação de exploração por medo, vergonha ou receio de represálias, o que torna essencial a capacitação das equipes de atendimento.

A criação da cartilha está alinhada ao IV Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, instituído pelo Decreto nº 12.121/2024, que prevê o fortalecimento dos canais de denúncia e a qualificação dos profissionais responsáveis pelo atendimento às vítimas.

Como funciona o Ligue 180

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, em todo o Brasil. O canal oferece orientação sobre direitos das mulheres, informações sobre serviços especializados, registro e encaminhamento de denúncias, além de receber reclamações e elogios sobre atendimentos da rede de proteção.

O atendimento pode ser feito por telefone, de qualquer local do país, ou por chat via WhatsApp, pelo número (61) 9610-0180. Em situações de emergência, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.