Copom decide na quarta-feira se inicia corte da Selic em meio a tensão no petróleo

9
(Foto: Marcelo Casal JR- AB)

Taxa básica de juros está em 15% ao ano e decisão impacta inflação, crédito e crescimento econômico

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) para definir se dará início ao ciclo de redução da taxa básica de juros, em um momento de elevada incerteza nos mercados devido à escalada do preço do petróleo. A decisão pode influenciar diretamente o crédito, a inflação e o crescimento econômico do país.

O mercado projetava cortes de 0,25 a 0,50 ponto percentual na Selic, que está em 15% ao ano desde junho de 2025 — o maior patamar desde 2006. No entanto, a tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã e o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo, reacenderam apostas de que a taxa possa ser mantida no nível atual.

Os impactos já se refletem nos preços internos: a Petrobras aumentou o diesel em R$ 0,38 por litro para as distribuidoras, elevando os custos de frete e pressionando a inflação. O Banco Central utiliza a Selic como instrumento de controle da inflação: juros mais altos encarecem o crédito, desestimulam o consumo e ajudam a conter a alta de preços, enquanto taxas menores estimulam a economia, mas podem acelerar a inflação.

Desde a última reunião, a projeção de inflação para 2026 recuou ligeiramente, de 4% para 3,9%, enquanto a taxa de câmbio passou de R$ 5,35 para R$ 5,20. Segundo analistas do C6 Bank, a Selic pode ser cortada em 0,25 ponto percentual, para 14,5%, caso o Copom decida iniciar a calibragem gradual. A Warren Investimentos projeta um corte de 0,50 ponto percentual, mas não descarta postura mais conservadora diante da volatilidade do cenário externo.

A decisão do Copom será acompanhada de perto pelo mercado financeiro, pelo setor produtivo e pelos consumidores, já que define o custo do crédito e influencia decisões de investimento, consumo e financiamento. Independentemente do resultado, a sinalização da autoridade monetária para os próximos meses deve manter a atenção sobre a trajetória da inflação e os riscos externos que afetam a economia brasileira.