
Governo finaliza programa de renegociação voltado para cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal
Uma nova tentativa do governo federal de reduzir o endividamento das famílias brasileiras pode começar já nos próximos dias. Batizado de Desenrola 2.0, o programa em fase final de elaboração prevê descontos de até 90% em dívidas bancárias e permitirá o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para ajudar na quitação dos débitos.
O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que a proposta foi construída em conjunto com instituições financeiras e deve ser apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias. A expectativa do governo é lançar oficialmente o programa em 1º de maio, Dia do Trabalhador.
Segundo o ministro, o foco da iniciativa será a renegociação de dívidas consideradas mais pesadas para o orçamento das famílias, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal — modalidades conhecidas pelas altas taxas de juros.
“Estamos concluindo as conversas com as instituições financeiras para entregar ao presidente o programa de renegociação das dívidas das famílias brasileiras”, afirmou Durigan.
A proposta prevê abatimentos que podem chegar a 90% do valor devido. Na prática, uma dívida de R$ 10 mil poderia ser renegociada por cerca de R$ 1 mil, além da possibilidade de parcelamento com juros menores.
De acordo com o ministro, a intenção é permitir que famílias consigam sair do ciclo de endividamento provocado pelos juros elevados. Atualmente, taxas de crédito pessoal e cartão podem variar entre 6% e 10% ao mês.
Além dos descontos, o governo quer facilitar o acesso a novas linhas de crédito com taxas mais baixas após a renegociação. “Com uma dívida menor, será possível acessar um novo financiamento com taxas mais aceitáveis”, explicou Durigan.
O uso do FGTS foi mantido na proposta e poderá ser utilizado parcialmente pelo trabalhador para quitar dívidas. O ministro negou que haverá exigência de usar todo o saldo disponível.
“Você não está se endividando com o FGTS, está usando o recurso para quitar uma dívida”, disse.
Especialistas avaliam que o programa pode aliviar a situação financeira de milhões de brasileiros, mas alertam que a medida não resolve problemas estruturais da economia.
O professor de Ciências Contábeis Alisson Batista destacou que o cenário atual é de forte endividamento. Segundo ele, indicadores da CNC mostram que mais de 80% das famílias brasileiras estavam endividadas em março.
“O programa pode dar um fôlego importante para famílias que hoje não conseguem pagar suas dívidas”, afirmou.
Já o professor de finanças Marcos Melo ponderou que a renegociação ajuda no curto prazo, mas não elimina fatores como juros altos, baixa educação financeira e dificuldades econômicas do país.
Para ele, o uso do FGTS também exige cautela. “Pode aliviar a situação imediata, mas compromete uma reserva importante para o futuro”, avaliou.
A expectativa do governo é alcançar dezenas de milhões de brasileiros. O programa deve funcionar de forma simplificada, com incentivo para que os consumidores procurem seus bancos para renegociar os débitos.
Durigan afirmou ainda que o Desenrola 2.0 não será uma medida permanente. Segundo ele, o objetivo é enfrentar um momento específico de alto endividamento, e não criar um programa recorrente de renegociação.
A previsão é que o sistema entre em funcionamento logo após o anúncio oficial do presidente da República.


















