Alcides Bernal alega legítima defesa e acusa fiscal tributário de tentar invadir sua casa

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Alcides Bernal (Foto: Arquivo/Rede Social)

Preso em flagrante por assassinar o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na tarde dessa terça-feira (24), em Campo Grande, o ex-prefeito Alcides Bernal alegou legítima defesa. Na sua versão para os fatos, foi informado pela empresa de segurança privada de que estariam tentando invadir a casa na Rua Antônio Maria Coelho, bairro Jardim dos Estados, por conta disso, foi até o local, momento em que houve o confronto.

O advogado que representa o político, Wilton Edgar Acosta, disse à imprensa que Bernal foi agredido e ameaçado ao tentar impedir que o chaveiro destrancasse a porta. A defesa também adiantou que ele tem o porte legal de arma de fogo, além disso, como é graduado em Direito, deverá ser alojado em uma sala especial até a realização da audiência de custódia de quarta-feira (25), que irá determinar a manutenção da prisão ou a sua liberdade.

Acosta destacou que Alcides Bernal está colaborando com a investigação, a maior prova para isso é que se apresentou na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) logo após o crime, entregando a arma e suas razões para os fatos. O imóvel não era a residência oficial do ex-prefeito, porém, abrigava uma espécie de escritório particular, mesmo tendo sido leiloado pela Justiça no ano passado em função do não pagamento do financiamento imobiliário junto à Caixa Econômica Federal.

Houve o leilão e a casa foi comprada por Roberto Carlos. No veículo dele, a polícia apreendeu documentos sobre o processo, incluindo uma notificação extrajudicial, de 20 de fevereiro, na qual estabelecia um prazo de 30 dias para a desocupação voluntária do imóvel, tempo já expirado. Entretanto, essa decisão não tem a mesma força de uma ordem judicial de despejo, portanto, não autoriza a retirada forçada do morador e nem mesmo permite a posse do novo proprietário.

Na resistência de não deixar que abrissem a porta, Bernal atirou duas vezes contra a vítima, que sofreu três perfurações, uma delas na costela. O Corpo de Bombeiros e o SAMU foram acionados e realizaram por 25 minutos as manobras de reanimação cardíaca, porém, o fiscal não resistiu e morreu ainda no local. O crime aconteceu na frente do chaveiro contratado pela vítima para abrir a porta e de mais uma pessoa.

Imagens de câmeras de videomonitoramento serão usadas na investigação para traçar a dinâmica exata dos fatos. Segundo a Polícia Civil, o caso foi lavrado como flagrante e registrado como homicídio, qualificado como traição, emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido.