Brasil ainda tem 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não alfabetizadas
O caminho para voltar à escola ganhou um novo atalho digital no Brasil. O Ministério da Educação (MEC) lançou neste sábado (28) o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), plataforma nacional criada para conectar pessoas que desejam concluir os estudos às redes públicas de ensino em todo o país.
A ferramenta permite que qualquer pessoa com 15 anos ou mais registre, pela internet, o interesse em cursar a Educação de Jovens e Adultos (EJA). O objetivo é facilitar o acesso à matrícula e ajudar estados e municípios a organizar a oferta de vagas conforme a demanda real dos estudantes.
Segundo o MEC, a iniciativa busca ampliar o acesso à educação e melhorar o planejamento das políticas públicas, já que o Brasil ainda não possuía um sistema unificado capaz de mapear quantas pessoas desejam retornar à escola. Com o cadastro, gestores poderão identificar regiões com maior procura e ajustar a oferta de turmas de forma mais eficiente.
O lançamento ocorreu durante o Encontro Nacional da Educação de Jovens e Adultos, que reuniu educadores, estudantes e instituições de diversas regiões do país. O evento também marcou a formatura de cerca de 2 mil alunos oriundos de áreas de reforma agrária e periferias do Nordeste.
Durante a cerimônia, representantes do MEC destacaram que a plataforma representa uma mudança na forma de acesso à modalidade, permitindo que o poder público identifique diretamente quem deseja estudar. A proposta é tornar o processo mais acessível e reduzir a necessidade de busca ativa feita por educadores nas comunidades.
Além do cadastro para estudantes, o sistema contará com um painel exclusivo para gestores públicos. A ferramenta permitirá acompanhar a procura por vagas, visualizar a oferta de EJA de forma georreferenciada e cruzar dados para melhorar a distribuição das turmas.
O CadEJA integra o Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA), política criada em 2024 com o objetivo de ampliar a escolaridade da população brasileira e reduzir desigualdades educacionais. A previsão do governo federal é investir cerca de R$ 4 bilhões até 2027 em ações voltadas à alfabetização e à expansão da modalidade.
Para se cadastrar, o interessado precisa apenas acessar a plataforma e preencher um questionário simples, que conta inclusive com suporte em áudio. Após o registro, a rede de ensino entra em contato para orientar o processo de matrícula conforme preferências como turno e localização.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) 2024, do IBGE, apontam que o Brasil ainda possui cerca de 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não alfabetizadas. A expectativa do MEC é que a nova ferramenta contribua para reverter esse cenário, ampliando o acesso à educação para jovens, adultos e idosos e fortalecendo políticas de inclusão social e cidadania.




















