Apenas metade dos adolescentes brasileiros está vacinada contra HPV, aponta IBGE

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Estudo do IBGE mostra que 34,6% dos estudantes não sabem se foram imunizados, evidenciando desinformação e falta de acesso

Pesquisa revela que quase 1,3 milhão de jovens não receberam a vacina, deixando milhões vulneráveis a cânceres preveníveis

Embora a vacinação contra o HPV seja gratuita e eficaz na prevenção de vários tipos de câncer, a adesão entre adolescentes ainda é baixa. Uma pesquisa recente do IBGE revela que muitos jovens chegam à fase sexualmente ativa sem proteção contra o vírus, deixando milhões potencialmente vulneráveis a infecções que podem levar a tumores no colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (25), aponta que apenas 54,9% dos estudantes de 13 a 17 anos tinham certeza de que foram vacinados contra o HPV. Por outro lado, 10,4% não receberam a vacina e 34,6% não sabiam se haviam sido imunizados. Isso significa que quase 1,3 milhão de adolescentes estão desprotegidos e outros 4,2 milhões podem estar vulneráveis.

O HPV é transmitido principalmente por via sexual, e a vacina é mais eficaz se tomada antes da primeira relação. Por isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) recomenda a aplicação do imunizante em meninas e meninos de 9 a 14 anos. A pesquisa também mostrou que 30,4% dos estudantes já iniciaram vida sexual, com idade média de 13,3 anos para meninos e 14,3 anos para meninas.

A queda na cobertura vacinal é preocupante: em relação a 2019, houve redução de oito pontos percentuais entre todos os estudantes, e de 16,6 pontos apenas entre meninas, que continuam a apresentar maior índice de imunização (59,5%) em comparação aos meninos (50,3%).

Entre os principais motivos apontados para a falta de vacinação estão a desinformação sobre a necessidade do imunizante e o desconhecimento sobre a função da vacina. Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Balallai, a educação nas escolas é fundamental para combater a hesitação vacinal. “Escolas resolvem a desinformação, informam sobre datas de vacinação, facilitam o acesso e conscientizam os pais”, afirma.

Outros fatores citados pelos adolescentes foram a resistência dos responsáveis (7,3%), dificuldade de acesso aos locais de vacinação (7%) e desconhecimento da função da vacina (7,2%). O levantamento apontou diferenças entre redes pública e privada: na rede pública, 11% dos alunos não se vacinaram, enquanto na privada o índice foi de 6,9%. Por outro lado, a resistência dos pais foi mais presente entre estudantes da rede privada (15,8%) do que na pública (6,3%).

O Ministério da Saúde informou que, em 2025, a cobertura vacinal preliminar foi maior que a detectada pela PeNSE: 86% entre meninas e 74,4% entre meninos. A vacina contra o HPV agora é aplicada em dose única, e o governo federal lançou uma estratégia de resgate vacinal para jovens de 15 a 19 anos que não foram imunizados na idade recomendada. Até o momento, 217 mil adolescentes já foram vacinados, com a campanha prevista para continuar até junho de 2026, incluindo ações nas escolas e em unidades de saúde.

Quem não tiver o comprovante de vacinação pode verificar sua situação pelo aplicativo Meu SUS Digital ou nos postos de saúde. O imunizante continua disponível gratuitamente para todos os adolescentes dentro da faixa etária recomendada.